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Elétricos 800 V pressionam infraestrutura de recarga no Brasil

Expansão dos veículos de alta tensão pressiona infraestrutura de recarga e impulsiona mercado de eletropostos.

O avanço dos veículos elétricos com arquitetura de 800 V começa a transformar o mercado de infraestrutura de recarga no Brasil. Embora o padrão CCS2 utilizado no país seja compatível com altas tensões, grande parte dos eletropostos ainda opera em plataformas voltadas aos atuais veículos de 400 V, limitando a velocidade máxima de carregamento dos modelos mais modernos.

O movimento ocorre em meio ao crescimento acelerado da frota eletrificada brasileira. Segundo dados da Fenabrave, o primeiro trimestre de 2026 registrou 94,7 mil veículos eletrificados emplacados no país, alta de 89,23% em relação ao mesmo período de 2025.

Com o aumento da frota, o mercado já observa maior pressão sobre a infraestrutura pública de recarga, principalmente em centros urbanos e corredores rodoviários.

Infraestrutura passa por nova fase tecnológica

A E-Wolf projeta crescimento de 40% nas vendas de carregadores em 2026, impulsionado pela necessidade de adaptação das estações à convivência entre veículos de 400 V e 800 V.

“A discussão deixou de ser apenas quantidade de carregadores. Agora o mercado começa a entrar numa nova fase, em que a capacidade tecnológica da infraestrutura passa a ser decisiva”, afirma Thiago Castilha, diretor de Marketing da E-Wolf.

Segundo o executivo, muitos carregadores atuais conseguem atender veículos de 800 V, mas sem entregar toda a capacidade de recarga ultrarrápida que a nova arquitetura permite.

Arquitetura 800 V amplia eficiência e reduz tempo de recarga

A tecnologia de 800 V vem sendo adotada globalmente por permitir recargas mais rápidas, maior eficiência energética e redução de perdas elétricas. Modelos como Porsche Taycan, Hyundai Ioniq 5 e Kia EV9 ajudaram a popularizar esse padrão.

“A potência de carregamento é resultado da tensão multiplicada pela corrente. Ao elevar a tensão para 800 V, é possível aumentar significativamente a potência sem elevar proporcionalmente a corrente elétrica”, explica Castilha.

Segundo a empresa, seus carregadores já operam em faixa entre aproximadamente 150 V e 1000 V, permitindo compatibilidade automática com diferentes arquiteturas de veículos.

Frota mista deve acelerar atualização dos eletropostos

A expectativa do setor é que veículos de 400 V e 800 V convivam por muitos anos. Enquanto modelos compactos e de entrada devem permanecer na arquitetura de 400 V por questões de custo, plataformas mais modernas devem migrar gradualmente para tensões mais elevadas.

Dados de telemetria monitorados pela E-Wolf já indicam o início dessa transição. Em uma estação acompanhada pela empresa, 18 das 638 recargas registradas ocorreram acima de 500 V.

“Essa transformação já começou. Existe uma oportunidade importante para preparar os eletropostos para a próxima geração de veículos e evitar gargalos tecnológicos nos próximos anos”, conclui o executivo.

Para mais informações, acesse: ewolf.com.br

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