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Uma profissão em evolução constante

O balconista de autopeças é um profissional importante do segmento de reposição. Ele auxilia os reparadores no momento da compra, esclarece dúvidas e dá sugestões

Por: Edison Ragassi/ Fotos: IBR Editora

Oferecer produtos de qualidade, com preços competitivos, ajuda um estabelecimento a trazer clientes, mas a venda só é consumada, se o interessado em comprar for bem atendido. Este atendimento geralmente é feito pelo profissional conhecido como balconista. 

Porém, quando o cliente entra em uma loja, seja ela de vestuário, eletrodomésticos, artigos esportivos, há uma pessoa que se aproxima e de maneira educada e solta a frase: “Posso te ajudar?”. Muitas vezes este atendente recebe como resposta: “Não, estou só olhando, obrigado”.

Esta situação é muito diferente do que ocorre no varejo de autopeças. O cliente não entra em uma loja de autopeças “só para olhar”. Quando o consumidor final procura este tipo de comércio, nem sempre sabe exatamente o que deve comprar, principalmente quando se trata de um componente técnico.

E aí que o profissional atrás do balcão tem que ter sensibilidade, saber perguntar, fazer uma entrevista com este comprador para atendê-lo plenamente e não provocar o retorno com o intuito de trocar a peça, pois levou o item errado.

Já ao atender o reparador, o processo é menos trabalhoso, mas não deixa de exigir atenção. Isso porque em certas situações, o profissional da oficina não consegue levar a peça defeituosa para ser comparada com a nova. Outro fator importante é que a variedade de modelos encontrada na frota circulante do país é diversificada, pois desde 1999, quando a Renault iniciou as operações, não temos só quatro fabricantes de automóveis leves atuando no mercado. Ao incluir os importados a proporção desta diversidade é ainda maior.

Nestas condições, é comum encontrar, por exemplo, um veículo ano 1998 modelo 1999, que utiliza um amortecedor diferente do ano modelo 1998.

E quando o reparador pede o item mesmo com muita convicção, o balconista de autopeças precisa ficar atento e confirmar se realmente é aquela peça que ele necessita.

Na cidade de São Paulo, a importância do balconista de autopeças foi reconhecida, tanto que no município, o dia 26 de novembro foi escolhido para comemorar o dia do balconista de autopeças. A Lei Municipal foi aprovada em 2010 pela Câmara dos Vereadores.        

Os desafios da profissão

Nos últimos anos, graças a fusão da eletrônica com a mecânica, a tecnologia evolui rapidamente. As informações trafegam em alta velocidade, o que exige muita dedicação de todos os profissionais envolvidos em um setor tão abrangente como o automotivo. “Nós não chamamos mais nossos profissionais de balconistas, eu digo que eles são consultores de vendas”, afirma Carlos Maia, gerente comercial do Grupo Josecar, ele está na empresa há 18 anos. O Grupo fundado em 1983 é composto por 8 lojas e no mês de dezembro irá inaugurar a 9ª filial. “Nos dias de hoje, o profissional que atende o cliente é diferente dos balconistas de antigamente. É um profissional mais jovem, ele atende o reparador de forma diferenciada, recebe o cliente bem. É diferente dos balconistas mais tradicionais que não procuravam o relacionamento, o atender bem e encantar o cliente”.

Mas para implantar o conceito de atender bem e transformá-lo em realidade é preciso investimento. “Nós investimos muito em treinamentos, pois geralmente a pessoa que vem até o balcão, não vem para comprar um sonho e temos que minimizar este sentimento de sofrimento. Por isso na Josecar, quando o cliente entra, o atendente se apresenta, oferece café, enfim faz ele sentir-se bem”, lembra ele.

O avanço da tecnologia também influencia no atendimento ao cliente. “Os consultores jovens não são como os tradicionais balconistas que sabiam de cor o código da peça, aliás, nos dias de hoje, isso não é mais possível, por causa da variedade de modelos. Mas eles são antenados, conhecem tecnologia, catálogos eletrônicos, sabem pesquisar, buscar peças pelo numero do chassi. Nós precisamos desta juventude que domina a tecnologia para oferecer um atendimento diferenciado”, relata o gerente comercial.

Neste momento sem precedentes, onde vivemos uma pandemia, por meio da tecnologia, a Josecar continuou a oferecer atendimento diferenciado aos clientes. “Nós criamos um novo departamento chamado Multivendas. Antes atendíamos os clientes no balcão e por telefone, e passamos a atender também por WhatsApp, chat, e-mail, Facebook e Instagram”, relata ele.  

Esta relação entre o reparador independente ou cliente final com o balconista (atendente/consultor técnico/consultor de vendas) é fundamental para que o negócio seja sadio, pois o comprador satisfeito volta e indica para outro. Porém, para que esta relação positiva se estabeleça é necessário empenho e a busca constante pela capacitação. “Eu falo para minha equipe sempre buscar capacitação. Eu estou há mais de 30 anos no ramo de autopeças e busco capacitação a todo o momento. Este ano já fiz cinco cursos e li dois livros, pois capacitação e busca de conhecimento é vitalícia. Se deixarmos de buscá-la, nós morremos como profissionais e como pessoas”, afirma Carlos Maia, gerente comercial da José Car.

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