Parâmetros de funcionamento no diagnóstico da transmissão automática

O procedimento de diagnóstico na transmissão automática deve ser realizado com padrões definidos e com sequência lógica.

Frequentemente, em nossos cursos, surge a discussão sobre os procedimentos de diagnóstico, para uma reparação que atinja realmente a CAUSA do problema. As transmissões modernas, com controle eletrônico, na maioria das vezes apresentam defeitos que não são causados por componentes da própria transmissão, mas sim por componentes de outros sistemas do veículo, porém com reflexos em seu funcionamento.

Muitas vezes, o técnico reparador de caixas automáticas, na ânsia de reparar a transmissão, se esquece de fazer uma varredura em outros sistemas que influenciam o funcionamento da caixa automática, gastando tempo e dinheiro sem resolver realmente o problema.

Tomemos como exemplo o caso do técnico que recebeu um Toyota Hilux na oficina, com a queixa de que a transmissão não estava efetuando corretamente a troca de marchas, demorando muito nas mudanças ou não trocando. Na ânsia de resolver logo o problema, ele deixou de considerar os procedimentos de diagnóstico e removeu a transmissão, desmontando-a completamente, apenas para ver que ela estava perfeita. Mais tarde, constatou-se que o problema era o filtro de combustível do diesel obstruído, limitando a potência do motor e inibindo consequentemente as trocas das marchas.

O procedimento de diagnóstico, principalmente de uma transmissão automática, deve ser realizado com padrões definidos, numa sequência lógica, para que nenhum item seja ignorado, evitando assim que se perca tempo e dinheiro desnecessariamente.

Em nossos cursos, é comum se estudar ponto por ponto os passos para um diagnóstico bem feito. O significado da palavra diagnóstico é: Busca pela causa raiz do problema. Se ela não for encontrada, é certo que o veículo voltará com o mesmo problema num curto espaço de tempo, causando perda de dinheiro e insatisfação do cliente. Isto não é bom para a oficina!

Embora os sistemas de transmissão sejam bem completos, armazenando as causas que afetam seu funcionamento, assim como os demais sistemas do veículo, nem sempre a causa do problema pode ser encontrada quando se verifica a memória de avarias com o uso do scanner. Em primeiro lugar, como os diversos sistemas do veículo estão interagindo diretamente entre si, deve-se, quando se utiliza o equipamento de diagnóstico automotivo, realizar uma varredura completa de TODOS os sistemas, uma vez que uma falha de outro sistema pode interferir diretamente no desempenho da transmissão. Por exemplo: se temos uma avaria relacionada com a ausência do sinal de velocidade do veículo, pode ser que a falha esteja no sensor de velocidade, ou no sistema de ABS, ou mesmo no painel. Caso se encontre uma falha deste tipo, deve-se antes de mais nada realizar a correção no sistema correspondente, e depois verificar se a transmissão voltou a se comportar corretamente, antes de intervir na caixa de mudanças.

É devido à estas causas, que os escâneres modernos possuem a função de escaneamento de TODOS os sistemas do veículo, para que o técnico possa ter uma visão geral do funcionamento padrão e possa efetuar a correção da falha que esteja afetando o desempenho geral da transmissão.

Lembre-se que uma deficiência de alimentação do motor pode ocasionar uma falha na transmissão, que nem sempre é detectada pelo sistema.

Um outro recurso que o técnico reparador tem é estudar a leitura dos parâmetros de funcionamento da transmissão, conhecida como LISTA DE DADOS ou PARÂMETROS DE FUNCIONAMENTO. Nesta função do scanner, pode-se reconhecer uma causa de falha prontamente, embora ela não esteja registrada como FALHA pelo sistema.

Por exemplo: Há algum tempo, recebemos um pedido de apoio técnico de um reparador que já esteva no limite de sua capacidade de diagnóstico e nos relatou que um Chevrolet Zafira automático, apresentava trancos durante as mudanças de marcha. O proprietário estava bastante preocupado com este defeito, e o técnico tentou por todos os meios resolver o problema, até que recorreu à APTTA Brasil para um direcionamento. Ele já havia reformado a transmissão completamente, filtro e fluidos novos e originais, feito toda a verificação das folgas internas, porém os trancos continuavam. Como não existiam códigos de falha (DTCs) armazenados na memória de avarias do módulo da transmissão, solicitamos ao técnico que enviasse uma foto dos parâmetros de funcionamento da transmissão, exibidos no equipamento de diagnóstico.

Quando examinada a foto, percebeu-se que, embora a temperatura do liquido de arrefecimento do motor estivesse correta (ao redor de 95ºC) a temperatura do fluido da transmissão mostrava somente 40ºC, que não era coerente com a realidade, uma vez que os dois sistemas (arrefecimento da caixa e arrefecimento do motor) utilizam o mesmo liquido e são sistemas ligados. Quando foi efetuada a substituição do sensor de temperatura do fluido da transmissão, os trancos desapareceram e o câmbio voltou a funcionar perfeitamente. Notamos que, embora o sensor estivesse alterado em relação à temperatura real do óleo, o sistema não registrava a falha pois os parâmetros de funcionamento estavam dentro da faixa de trabalho. O sistema somente pega este tipo de falha quanto a temperatura vai aos extremos, ou seja (-40ºC ou 170º C). Como ele estava dentro da faixa de trabalho,considerava o valor normal e não fazia a correção de pressão necessária do fluido, ocasionando os trancos informados.

Um outro caso que serve para provar nosso artigo foi o de um Pajero FULL recebido por uma concessionária, que não efetuava as mudanças para 4ª e 5ª marchas. Os técnicos trabalharam no problema efetuando a substituição do corpo de válvulas, módulo, chicote da transmissão, módulo do motor e por fim substituíram a transmissão completa, porém sem resultados positivos. O que mais confundiu os técnicos foi que todos os itens retirados do defeituoso, quando colocados em outro veículo, funcionavam perfeitamente. Ao orientar os técnicos a realizarem a leitura dos parâmetros de funcionamento da transmissão, constatou-se que o interruptor de informação da Reduzida, localizado sobre a caixa de transferência, estava travado, sempre informando que o veículo estava em REDUZIDA e, portanto, o módulo da transmissão não mudava para as últimas marchas, pela ativação do programa de limitação de velocidade. Portanto, destes dois exemplos simples, descobrimos que a leitura dos parâmetros de funcionamento, seja da transmissão, motor ou outro sistema qualquer do veículo, pode acusar um erro de funcionamento que dificilmente o sistema acusaria como código de falha (DTC) embora o problema exista, porém não é rastreado pois os interruptores em geral, são interpretados como NORMAIS estando abertos o tempo todo ou FECHADOS o tempo todo.

Esperamos que esta matéria seja de ajuda aos técnicos reparadores em geral, e em especial para aqueles que querem aprender sobre as caixas automáticas, e assim deixar seu cliente satisfeito e que nós sejamos cada vez mais bem sucedidos em nosso trabalho!

Carlos Napoletano
Diretor Técnico da Aptta Brasil
www.apttabrasil.com

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