Corrosão dos Motores Atuais X Motores Antigos

Corrosão dos Motores Atuais X Motores Antigos

Os motores evoluíram, diminuíram de tamanho, passaram a emitir menos poluentes, mas os combustíveis não acompanharam esta evolução.

Caro amigo leitor, que bom tê-lo conosco em mais esta edição. Como sempre busco trazer informações técnicas, para auxiliar no seu desenvolvimento profissional no dia a dia dentro da oficina, atuando como reparador automotivo.

Para esta edição, o tema está relacionado ao estudo regido pela engenharia de corrosão e desgaste. Sim, existe um ramo da engenharia que se dedica ao estudo das reações químicas que afetam todo o tipo de material, trazendo deterioração, seja em uma construção civil, na fabricação de um equipamento cirúrgico de alta precisão, ou na fabricação de peças para automóveis.

Então, sigamos com nosso estudo sobre um tema muito polêmico:

Por que os motores atuais se danificam por corrosão mais facilmente se comparado aos antigos?

Esta pergunta sempre é feita, ou muitas vezes, vem de forma afirmativa, que o carro do modelo A, B, C, de 1990… não apresentavam estas falhas, como os atuais.

Vamos entender, o que mudou, inclusive já foi matéria do ano passado, em 2025, quando falei sobre a evolução nos últimos 30 anos.

Conforme, já explicado, as tecnologias embarcadas para atenderem normas ambientais com redução das emissões de poluentes, trouxeram motores menores (DOWNSIZE), com maior potência que os antigos. Dentro deste fator, temos a elevação de temperatura, taxa de compressão maiores, menor área de dissipação de calor.

Porém, o combustível deveria acompanhar a esta evolução, fato que não ocorreu. Pois se tivéssemos uma gasolina, um etanol mais puro, a eficiência seria bem superior e menor desgastes dos motores.

Mas, nosso combustível é tão ruim assim?

Sabemos que nenhuma indústria quer ou está voltada a produzir produtos de baixa qualidade, porém quando pesquisamos o que vemos são vários meios de comunicação que noticiam, fiscalizações, que apuram adulteração dos combustíveis Brasil a fora.

O mais terrível atualmente, são os veículos dotados de Injeção Direta de Combustível (GDI, TSI, TSFI), apresentando falhas prematuras.

O resultado da má queima de combustível, se dá principalmente com Etanol, pois existem uma reação, chamada de AZEOTROPIA, onde o azeótropo (etanol hidratado) vaporiza, sendo este adulterado, sua vaporização fica fora do padrão de queima, de vaporização azeotrópica, gerando resíduo de água ácida na câmara de combustão, por fim contaminando o lubrificante do motor reduzindo sua eficiência de lubricidade e proteção.

Assim temos motores, com baixa quilometragem, principalmente os dos veículos que tem uso severo (circuito urbano) a veículos que são utilizados para viagens constantes.

Não são apenas componentes metálicos danificados, mas também, borrachas de vedação e juntas.

Pesquisas em laboratórios, comprovam o aumento da ação corrosiva por combustíveis adulterados, principalmente o etanol.

Em teste de laboratório, temos um cabeçote corroído e outro praticamente novo. Sim, não houve corrosão, não foi posto em funcionamento no motor.

Vou apresentar um teste real do dia a dia, motores abertos na oficina, que se sujeitaram ao uso normal do veículo, porém com baixa quilometragem.

Recebemos durante o mês vários casos de problemas de combustão, arrefecimento, onde vivenciamos algo curioso:

Dois cabeçotes de Jeep Compass 2.0 Flex, o Tigershark, que corroeram as válvulas de admissão e escape de igual forma. Ambos com baixa quilometragem, de uso similar, proprietários que utilizam veículo somente em percurso urbano.

É assustador, vermos o quanto estamos suscetíveis a danos causados por baixa qualidade dos combustíveis.

Esta corrosão apresentada nas válvulas, mostra que a reação do combustível etanol, gera um resultado corrosivo muito agressivo. Por ser um AZEÓTROPO, o ponto de ebulição do etanol hidratado é na faixa de 78 a 80ºC, porém quando ele sofre adulteração com acréscimo de água, este ponto muda para entre 98 a 100ºC, desta forma ele não tem uma boa vaporização, gerando grandes resíduos de água contaminando o lubrificante do motor.

Diante destas situações, o que tenho aconselhado aos clientes, é sempre aditivar seu combustível ao abastecer o veículo.

Altera o custo de abastecimento? Sim!

Porém, é mais econômico do que ter que reparar o cabeçote, válvulas injetoras, entre outros componentes.

Neste mês de março, substituímos injetores de BMW, MB, AUDI, VW, todos injeção direta, em grande escala, em média foram 9 jogos de injetores. Considero um número absurdo devido a baixa quilometragem dos veículos.

Um conselho a ser repassado aos clientes de sua oficina:

  1. Abasteça em postos de bandeira e exija cupom fiscal com placa e KM no instante do abastecimento;
  2. Aditive o combustível, nunca confie no combustível, não aplique aditivos por menor preço, busque por qualidade, vou deixar aqui algumas sugestões, onde com as análises realizadas, identificamos melhores resultados:

1º 8 em 1 FEX do Brasil

 reduz drasticamente a umidade do combustível

2º Carbomove Tirreno 

3º STP ULTRA

4º BARDAHL MAX POWER

Existem outros aditivos, porém o que testamos e obtivemos resultados satisfatórios foram estes.

Bom, chegamos ao fim de mais uma edição, espero que tenha contribuído para o entendimento e esclarecimento de algumas dúvidas, como o porquê de os veículos atuais apresentarem tantas falhas de combustão e danos prematuros.

Agora, apresento a você nosso projeto social, com o nome de Formando Talentos. Diante da grande procura por treinamentos e por falta de mão de obra qualificada no mercado. Estamos buscando junto às indústrias do setor automotivo, qualificar jovens e adultos em nosso centro de treinamento, que é anexo a nossa oficina.

Ampliamos em mais 450m², nossa oficina, destinando 150m² para área de treinamentos e qualificação profissional.

Projeto Formando Talentos

Qualificar jovens e adultos em manutenção automotiva com apoio das indústrias do aftermarket, promovendo condições de estudo e formação de mão obra para o mercado da reparação automotiva.

Salas de aula com materiais didáticos, informativos técnicos dos fabricantes, atualizados em conformidade com as tecnologias embarcadas dos veículos.

Em breve postaremos mais detalhes sobre os processos para participação deste projeto.

Até a próxima edição!

Leandro Marco
Professor de manutenção automotiva, graduado em Produção Mecânica Industrial, Mecatrônica Automotiva, Pós Graduado em Engenharia de Manutenção Automotiva.
Proprietário da General Tech, Oficina de linha Premium em Uberaba MG.