Pesquisa mostra avanço dos ODS na indústria automotiva brasileira

A indústria automotiva brasileira está ampliando a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, impulsionada principalmente pelas exigências de cadeias globais de fornecimento e do mercado internacional. No entanto, a falta de recursos financeiros ainda representa um dos principais obstáculos para transformar essas metas em resultados concretos.

É o que revela a Pesquisa sobre Aderência aos ODS no Setor Automotivo, realizada pelo IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, com patrocínio da ElringKlinger do Brasil e parceria institucional da Abipeças-Sindipeças.

Maioria das empresas já possui iniciativas ligadas aos ODS

O levantamento ouviu 118 profissionais de montadoras, fabricantes de autopeças, distribuidores e empresas de serviços do setor automotivo. Segundo a pesquisa, 79% das organizações já possuem planos relacionados aos ODS, seja de forma estruturada, em desenvolvimento ou em fase de discussão.

Além disso:

  • 52% já trabalham com metas vinculadas aos ODS;
  • Apenas 19% possuem orçamento específico para essas iniciativas;
  • 47% afirmam não destinar recursos financeiros para ações de sustentabilidade.

Os números mostram que, embora a sustentabilidade esteja cada vez mais presente no planejamento estratégico das empresas, ainda existe um descompasso entre intenção e execução.

ODS mais relevantes para o setor automotivo

Entre os objetivos considerados prioritários pelas empresas estão: consumo e produção responsáveis (ODS 12), trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8) e energia limpa e acessível (ODS 7), além de saúde e bem-estar (ODS 3) e igualdade de gênero (ODS 5).

Competitividade depende de governança e indicadores

Para Alexandre Xavier, diretor-superintendente do IQA, o próximo passo do setor é estruturar a implementação das iniciativas. “As empresas já reconhecem que a sustentabilidade impacta diretamente sua competitividade. O avanço agora depende de investimento, definição de indicadores e governança capaz de sustentar resultados mensuráveis.”

A pesquisa também mostra que 82% das empresas certificadas ambientalmente possuem a ISO 14001, principal norma internacional voltada à gestão ambiental.

ESG ganha peso nas cadeias globais

O estudo aponta que cresce a exigência por: rastreabilidade, transparência, comprovação de indicadores ESG e certificações ambientais. Segundo o IQA, essas demandas tendem a aumentar nas cadeias globais de fornecimento, tornando a sustentabilidade um fator cada vez mais relevante para a competitividade da indústria automotiva.

Benefícios já são percebidos

Mesmo diante das dificuldades de investimento, 67% das empresas afirmam já perceber benefícios com a adoção dos ODS. Desse total, 40% relatam resultados concretos e mensuráveis decorrentes das iniciativas de sustentabilidade.

Com menos de cinco anos para o prazo final da Agenda 2030 da ONU, o setor automotivo brasileiro entra em uma fase decisiva, em que a capacidade de financiar, medir e comprovar resultados ambientais e sociais deverá se tornar um diferencial competitivo.

Para mais informações, acesse: www.iqa.org.br

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