Com crescimento expressivo de 14% para todos os segmentos, fabricantes e vendedores de automóveis esperam resultados recordes.
Nos 6 primeiros meses do ano 2,7 milhões de novos veículos automotivos foram adicionados ao mercado, isso eleva o acumulado da frota circulante nacional para pouco mais de 82 milhões de unidades, entre todos os modais de transporte automotivo, o que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos, tratores e semirreboques.
O quadro abaixo monstra uma síntese comparativa do desempenho acumulado nos 6 primeiros meses do ano entre 2026 e 2025.

Automóveis, comerciais leves e motos tiveram desempenho positivo entre todos os segmentos no fechamento do primeiro semestre de 2026, em comparação com mesmo período do ano anterior.
Veículos leves impulsionam o crescimento
O mercado automotivo operou o primeiro semestre do ano com registros de forte expansão impulsionado pela expressiva alta nas vendas de veículos novos e pela ascensão dos carros eletrificados e das marcas chinesas.
As medidas anunciadas pelos EUA de taxação maior em 2025 até chegou a reduzir o ímpeto nas projeções das montadoras para vendas internas, mas, no fim das contas, o impacto não foi tão agressivo como o esperado e em 2026 a recuperação apareceu, pelo menos na linha de automóveis, comerciais leves e motos
O setor registra crescimento acumulado, o que força as montadoras tradicionais a oferecerem descontos agressivos para manterem a competitividade.
Segmento de pesados ainda enfrenta desafios
No segmento de pesados justifica-se a queda nas vendas de caminhões, ônibus e implementos rodoviários no acumulado do semestre devido a cenário de condicionado pela resiliência do crédito e por taxas de juros elevadas, que impactam principalmente o segmento de pesados (caminhões e ônibus).
O governo até minimizou a queda com o oferecimento de linhas de crédito com taxas menores (Programa Move Brasil) para facilitar o acesso para renovação da frota pesada. Mas empresários ainda clamam por mais crédito e ações motivadoras, especialmente para que o governo amplie o prazo até o final do ano.
Os números positivos de junho em relação a maio neste segmento só ocorreram devido ao uso do restante de crédito.
Expectativas para os próximos meses
O emplacamento em junho ficou dentro da expectativa das montadoras, gerando uma sensação de que melhores resultados poderão acontecer para o setor, caso nenhum outro agregado econômico venha a interferir, por maior que seja o risco dos efeitos de uma nova taxação adicional do governo americano sobre produtos brasileiros, anunciada para julho.
Abaixo o quadro completo de todos os segmentos:

Em resumo:
- Se mantiveram as expectativas de crescimento médio do setor de veículos novos não superior a 3,0% em relação ao ano de 2025. Impactos da inflação de custos causada pela guerra EUA-Irã, nova possível taxação do governo americano, efeito copa do mundo, questões políticas pré-período de eleição presidencial, são causa e efeito da prudência em não se esperar resultados mais significativos no setor para o ano, ceteris paribus.
- Pelo terceiro mês consecutivo houve redução na venda e emplacamento de motos (-6,2% em relação a abril e agora -1,8% em relação a maio). Ainda assim as previsões de que o segmento ultrapasse mais de 2,3 milhões de novas unidades no ano são mantidas.
Participação das marcas mais emplacadas no acumulado de 2026
Não houve mudança de posição no ranking das marcas mais vendidas no acumulado até abril. A Fiat continua liderando como marca que mais vendeu carros no país. A empresa está na frente da segunda colocada, a Volkswagen. Mais abaixo, fechando o pódio, está a Chevrolet, a Toyota que superou a Hyundai que agora é a quinta no ranking. Essas 5 marcas representam 53,1% das vendas e emplacamentos de veículos novos.
Já no segmento de caminhões e ônibus a Mercedes-Benz aumentou sua participação no mercado e manteve a liderança com porcentagem expressiva de 31,6% (era 31,1% em maio), seguida pela VW T&B com 26,7% que também manteve o desempenho do mês anterior, Volvo (14,5%), Scania (8,9%), Iveco (8,7%) e DAF (4,7%). Estas marcas concentraram 90,4% de todos os veículos comerciais pesados (caminhões e ônibus) emplacados e vendidos no acumulado do primeiro semestre de 2026.

Emplacamento de híbridos e elétricos
O mercado nacional vem batendo recordes sucessivos, ultrapassando a marca de 600 mil veículos eletrificados em circulação. O crescimento é impulsionado por um interesse renovado em economia de combustível, com destaque para a liderança contínua de modelos como o BYD Song Pro e o Toyota Corolla Cross.
Comprar um carro elétrico ou híbrido no Brasil oferece algumas vantagens como menores custos operacionais, isenção de rodízio em grandes metrópoles e redução ou isenção de IPVA. Os incentivos são divididos entre as esferas federal, estadual e municipal.
Em São Paulo, o que tem atraído grande parte dos compradores, segundo pesquisas preliminares, é a questão da facilitação da mobilidade sem restrição de rodízio da placa – até pelo trânsito, cada vez mais absurdo – e o pagamento de menores taxas de IPVA.

As vendas de híbridos e elétricos bateram recordes expressivos, chegando a representar cerca de 20% dos novos automóveis emplacados no país.

Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário.
Há 30 anos atua no mercado de reposição de autopeças.
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