Em 2026, já circulam cerca de 615 mil veículos com propulsão elétrica seja ela pura ou híbrida, de todos os segmentos.
Frota de eletrificados cresce em ritmo acelerado
As vendas de veículos eletrificados no País crescem a cada ano. A estimativa é de que este montante atinja 3,7 milhões de unidades até 2035, ou seja, em breve, mais de 9 anos, representará um volume bastante significativo para os interesses do mercado da reparação automotiva.
No quadro abaixo segue o mapa da distribuição regional da frota, com base em emplacamentos concluídos até fim de 2025:

Os carros puramente elétricos (os BEV’s) já representam 25% deste montante, ou seja, 154mil unidades.
Para a ABVE – Associação Brasileira do Veículo Elétrico, esse número da frota total em 2026 pode ser um pouco maior – próximo de 700 mil.
De 2024 para 2025 houve um crescimento de vendas 63,9% de veículos elétricos puros e/ou híbridos no Brasil, a maioria deles importados.
O que impulsiona o crescimento dos eletrificados
Alguns fatores facilitadores e de atração explicam esse crescimento com tendências positivas para os próximos anos:
- constante alta de combustíveis como gasolina e etanol;
- maiores opções de marcas e modelos sendo oferecidos ao mercado;
- maior implantação de pontos de recarga e reabastecimento de baterias espalhadas por praças púbicas e estradas;
- redução de preços, descontos atrativos (em alguns casos zerados) no IPVA e outros incentivos em algumas regiões;
- aprovação de legislação e regras de segurança para instalação de pontos de recarga em residências e condomínios;
- o valor do consumo da energia de recarga das baterias dos veículos elétricos pode ser menor que o custo de um banho de 10 minutos em chuveiro elétrico 6800W que consome em média 1,13 kWh. Alguns modelos de veículos chegam a consumir 12,5 kWh de carga a cada 100km e possuem autonomia de 300km. Considerando um uso de 1200km por mês (média de 40km por dia), 4 cargas e o consumo total será de 150 kWh x R$ 0,75 (preço por kWh em SP), o gasto com recarga no mês será próximo de R$ 112,50.
Atualmente, 68,5% dos veículos desta frota foram emplacados e estão circulando no sudeste e sul do país.
Também é possível observar crescimento da participação das regiões Norte e Nordeste, além de uma pequena redução proporcional nas regiões Centro-Oeste e Sul.

BYD lidera o mercado de eletrificados
A BYD detém a maior fatia de mercado de eletrificados e híbridos com 33,1%, seguida pela Toyota com 21,3% e em terceiro a GWM com 11,8%. As três marcas em conjunto representam 66,2%.
No modal de elétricos puros, a marca BYD representa 70,0% da frota e domina o segmento de eletrificados e não oferece veículos apenas híbridos.

Já os modelos mais vendidos foram:

Tipos de mobilidade usuais nos modelos comercializados: BEV (elétricos puros), PHEV (híbridos plug-in), HEV (híbridos convencionais), HEV Flex (híbridos flex) e MHEV (micro-híbridos – até 2024).
Infraestrutura avança e mais pontos passam a disponibilizar recarga
A recarga rápida pública de veículos eletrificados cresceu 167% em um ano no Brasil, segundo dados da ABVE. Atualmente, o país já conta com 21.061 estações de recarga, das quais 31% oferecem carregamento rápido.
O número total de eletropostos – lentos, rápidos e ultrarrápidos – registrou um crescimento de 25% sobre o total de agosto de 2025, mês do último levantamento.
Com isso, a relação entre o total de veículos de motorização elétrica que dispõem de recarga externa em circulação no Brasil até fevereiro de 2026 (411.869) e o total de eletropostos (21.061) chega a 19,6/1, considerara uma boa proporção para a realidade atual do mercado brasileiro.
Instalação de carregadores em condomínios
Já nas residências e condomínios também acontece uma evolução.
A instalação de pontos de recarga em condomínios residenciais está facilitada pela Lei 18.403/2026 em SP, que proíbe a recusa injustificada de instalação em vagas privativas. O morador arca com os custos, e a infraestrutura deve seguir normas técnicas rígidas de segurança (ABNT/Bombeiros), priorizando carregadores tipo Wallbox com medição individualizada.
O condomínio não pode proibir a instalação, a menos que um laudo técnico de um engenheiro elétrico comprove que a rede do prédio não suporta a carga. O condômino interessado financia a obra e o equipamento, incluindo a medição individualizada para garantir que apenas ele pague pelo consumo. A Portaria 003/970/2026 estabelece exigências rigorosas para prevenção de incêndios, proibindo o uso de tomadas comuns para carregamento contínuo.
Deve haver assembleia registrada para aprovação necessária a qual deve definir padrões técnicos, locais de instalação e uso de áreas comuns. Em prédios antigos com energia limitada, se a capacidade máxima de carga for atingida, a instalação de novos carregadores pode ser negada por motivos de segurança.
Atualmente, somente a cidade de São Paulo possui quase 40 mil condomínios residenciais em edifícios.

Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário.
Há 30 anos atua no mercado de reposição de autopeças.
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