Reparação Automotiva

A ilusão da alta tecnologia: quando a química invalida a engenharia automotiva

Para evitar problemas e retrabalho, o reparador deve utilizar óleo lubrificante e fluido de arrefecimento homologados pela fabricante do veículo.

Viramos o semestre! Bem-vindo a segunda parte do ano, período que chegam as novidades, eles passam a integrar a classe dos modelos 2027!  

Caro amigo leitor, é sempre bom tê-lo conosco a cada edição, acompanhando o que há de novo no setor da reparação automotiva.

Todo ano, ao iniciar o segundo semestre, recebo várias novidades, como um novo modelo, uma atualização de plataforma, novas montadoras que chegam, sempre no início dos seis últimos meses de cada ano.

Começo com novidades não muito boas, como foi o acréscimo de etanol na gasolina, chegando a 32%. Algo que irá gerar muita demanda, bem como muito retorno de veículos para oficina, o que alguns dizem:

  • Teremos mais serviços!
  • Teremos mais carros quebrados!

Outros podem ter outra visão:

  • Teremos mais retornos, clientes reclamando de serviços, os quais apresentam falhas devido à má qualidade do combustível, questionando se não é o serviço excetuado o problema.

Porém acredito que ambos estejam corretos, cada caso será apresentado de uma forma pelo cliente e oficina.

Mas afinal, o que está ocorrendo e o que irá ficar mais acentuado?

Ter problemas de funcionamento devido à má qualidade dos combustíveis brasileiros, não é novidade. Justificativas de empresas do setor, apontando que o nosso combustível é de boa qualidade, sempre existiram. Porém a realidade é outra.

Várias situações como a da imagem acima, circulam pelo país a fora, veículos com falhas, prejuízos astronômicos aos proprietários.

Conforme já anunciado nas mídias, não temos mais uma fiscalização governamental sobre o que é fornecido ao consumidor.

Por que aumentou tanto o número de veículos com problemas relacionados a combustíveis nos últimos anos?

A manutenção correta é tão importante quanto a tecnologia

O que ocorre não é tão somente uma falha direta no combustível, muitos fatores contribuem para falhas prematuras nos veículos atuais, afinal, a alta tecnologia empregada exige um cuidado maior com a manutenção correta e forma de utilização dos automóveis.

Uma pesquisa relacionando os últimos 10 anos, pude identificar que as falhas estão relacionadas a processos químicos. Não se assuste, mas o primeiro lugar não é do combustível.

Observe o gráfico a seguir:

“Evolução do Índice de Falhas Veiculares Associadas a Agentes Químicos (2016–2026). À medida que a tecnologia dos motores avança com folgas milimétricas e altas pressões, a sensibilidade a combustíveis adulterados, óleos fora de especificação e aditivos de baixa qualidade cresce exponencialmente, tornando a química o maior gargalo da manutenção moderna”.
Análise dos Dados do Gráfico:
  1. Lubrificantes Inadequados / Degradação (Curva Amarela): Apresenta o crescimento mais acentuado a partir de 2020. Isso coincide com a popularização de motores menores, superalimentados (turbo, injeção direta) e tecnologias de correia banhada a óleo, que são extremamente sensíveis as especificações corretas e a contaminação por combustível.
  2. Combustível Adulterado / Inadequado (Curva Vermelha): Mantém um crescimento contínuo e expressivo. O acúmulo de gomas, carbonização em válvulas de injeção direta e diluição de combustível no óleo lubrificante são os grandes responsáveis por falhas de ignição e quebra de componentes.
  3. Aditivos de Arrefecimento Ineficientes (Curva Azul): Mostra alta consistente devido ao uso de produtos “falsificados” ou apenas água da torneira/corantes, que provocam cavitação, corrosão de cabeçotes de alumínio e entupimento de radiadores/trocadores de calor modernos.

Conforme é acompanhado, os relatos de problemas no dia a dia do brasileiro, cresceu absurdamente os problemas com durabilidade dos veículos.

Muitos destes problemas, porém são atribuídos ao próprio usuário, que não obedece a correta manutenção prevista pelo fabricante, adotando medidas de manutenção indevidas, apenas o combustível, não podemos imputar ao proprietário, pois não há de certa forma uma escolha, mas sim uma roleta russa no bico das bombas de combustíveis.

O que mudou nos carros que faz o usuário ser o responsável pelos danos ou, coparticipante do problema?

Homologação dos produtos evita falhas e retrabalho

O brasileiro tem costume de seguir mitos, achismos, julgamentos indoutos, de que tudo é errado e o certo é a sua escolha.

Quando atendo um cliente, explico que o óleo lubrificante para o veículo dele, é um lubrificante que exige determinada homologação, pois o pacote de aditivos determinado pela montadora, quase sempre escuto:

É tudo igual, o negócio é que o homologado te dá mais lucro!

Fatos assim, ocorrem com vários componentes, que por fim, geram um prejuízo ao proprietário, o qual arrependimento nenhum recompensará.

Outro Item muito comum em nosso gráfico, é o sistema de arrefecimento. Ainda há aqueles que insistem em diluir o aditivo de arrefecimento com água de torneira, água filtrada, enfim contaminando o sistema. Além de não atentarem que os aditivos devem atender as normas das montadoras e da ABNT.

A alta tecnologia nos veículos empregada nos últimos 10 anos até hoje, tem feito com que o reparador automotivo, proprietários de veículos, busquem seguir as formas corretas de manutenção, pois os custos de reparos são elevados.

A alta tecnologia não aceita o jeitinho brasileiro!

Apresento agora alguns casos reais de falhas causadas por uso indevido de lubrificante, aditivos e combustíveis de baixa qualidade, bem como a manutenção periódica incorreta.

Caso 01- Água de Torneira

Mesmo diluindo o aditivo, não foi capaz de proteger o bloco e cabeçote do motor.

Caso 2- Óleo Lubrificante indevido
Óleo Lubrificante - Reparação Automotiva
Caso 3- Combustível Ruim

Injetores danificados, travados aberto causando calço hidráulico no motor.

Poderíamos dedicar todas as páginas desta revista para tratarmos deste assunto, que nem nas edições do ano inteiro caberiam as informações. 

Recomendações para uma manutenção segura

Para você reparador, deixo o seguinte alerta: Lubrificante, aditivos e peças, não aplique produtos pelo menor preço, mas sim pela qualidade atestada pelo fabricante. Qualidade não está apenas ligada a marca do produto, mas sim se ele é aprovado pela montadora, se atende as homologações determinadas por ela.

Combustíveis, oriente a seu cliente a utilizar postos conhecidos, pegar notas de abastecimento, anotar o km e placa no abastecimento, aplicar aditivos de potencialização, e tratamento, aqui te apresento os produtos da FEX do Brasil, empresa brasileira, convidada para expor na maior feira do setor automotiva mundial, que é a Automechanika em Frankfurt na Alemanha.

Aditivo de radiador te indico a TIRRENO, aditivo homologado nas maiores montadoras do mundo, o primeiro a lançar aditivo exclusivo para carros elétricos e híbridos, que exigem aditivo exclusivo para os sistemas de alta tensão. Distribuidor Nacional MEGACAR (11) 94716-0377 (falar com o NATAL).

Bom, existem diversos fabricantes de lubrificantes, como Castrol, Mobil, Total e Fuchs, entre outros. Cada marca possui produtos homologados para diferentes aplicações. O ideal é trabalhar sempre com um lubrificante que atenda às especificações e à homologação exigidas pela montadora.

Então, podemos concluir: A química aplicada pode anular todo um projeto de engenharia, provocando falhas e defeitos no veículo.

Prof. Leandro Marco
Proprietátio da General Tech Automotive Diagnostic e do Centro de Treinamento Profisional General Tech, em Uberaba MG. 
40 anos de experiência no setor automotivo, graduado em Mecatrônica Automotiva, com especialização em Eng. Automotiva, Eng. de Manutenção e Eng. de Corrosão e Desgaste, autor do Livro Motor a combustão interna, óleo lubrificante.

Confira as principais notícias do setor no portal da Revista Reparação Automotiva.