Mercado da reparação automotiva no Centro-Oeste brasileiro

A região destaca-se no agronegócio e tem potencial para gerar faturamento no valor de R$ 11 bilhões no segmento de aftermarket automotivo.

A região centro-oeste do Brasil é formada por três estados (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e pelo Distrito Federal. É a segunda maior região em área territorial, com 1,6 milhão de km², superada apenas pela região Norte, mas a menos populosa, destacando-se fortemente pela força do agronegócio, biodiversidade do Cerrado e do Pantanal. Abriga também a capital federal, Brasília.

É a única região brasileira que não tem saída para o mar, onde predomina o cerrado, com vastas áreas de transição, planícies alagadas e divisão territorial ao norte com a Amazônia.

O relevo é composto por três unidades dominantes: Planalto Central, Planalto Meridional e Planície do Pantanal.

Possui o terceiro maior IDH entre as regiões brasileiras (0.821) em 2024. O maior PIB per capita entre as cinco regiões, e um PIB de 1.1 trilhão de reais, ficando em quarto lugar, atrás do Sudeste, Sul e Nordeste, por conta da população, que é menor em comparação com as demais regiões.

A economia nos estados da região centro-oeste

Setores Estratégicos

  1. Agricultura: a região responde por quase 40% da produção de leguminosas e oleaginosas do país. Mato Grosso é o maior produtor nacional de grãos com 28% da produção nacional. Goiás com 10% é o 4º colocado e o Mato Grosso do Sul com 7,9% com o 5º lugar.
  2. Os estados do Mato Grosso e Goiás são líderes mundiais na produção de soja e milho, além de algodão e feijão que ocupam expressivas áreas plantadas.
  3. Pecuária: O Brasil possui um rebanho bovino estimado em 240 milhões de cabeças (IBGE-2025), sendo que a região centro-oeste participa com aproximadamente 35% desse total. Há também no país cerca de 55 milhões de suínos, 7 milhões destes no Mato Grosso e Goiás.
  4. Cerca de 5 bilhões de litros de leite foram produzidos na região, assim como 500 milhões de dúzias de ovos.
  5. O extrativismo mineral também se constitui como forte participante na formação do PIB da região. Goiás detém 5% da produção nacional. Entre os principais itens de exploração mineral da região estão o níquel, cobre, ouro, nióbio, alumínio (bauxita), estanho, manganês e ferro. Muitas áreas da região ainda são inexploradas.
  6. O extrativismo vegetal e o animal não são relevantes como atividades de destaque para os estados, havendo maior destaque nas áreas próximas da Amazonia em se tratando do vegetal.
  7. Na indústria o centro-oeste concentra aproximadamente 6,5% do PIB nacional, com crescimento mais destacado no setor de energia, de alimentos, farmacêutica e têxtil. Goiás é o estado mais industrializado da região, tendo recebido nos últimos 10 anos um aporte grande de empresas que lá se instalaram, especialmente do setor de farmoquímicos.
PIB da região – resultados médios de 2002 até 2023

Os estados do centro-oeste apresentam um desempenho com resiliência positiva nos últimos 20 anos em se tratando de desempenho do PIB.

No primeiro quadro é demonstrado o crescimento médio em valor adicionado por setor de atividade:

Fonte: IBGE – Sistema de Contas Regionais. Blog do IBRE

Já no segundo quadro, está a comparação de crescimento médio entre as regiões do país e o crescimento do PIB nacional no mesmo período, isto é, 20 anos.

O crescimento do PIB da região Centro-Oeste em 2025 registrou alta estimada em torno de 3,9% a 4,1%, superando a média nacional de 2,3%. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo setor da agropecuária, consolidando a região como destaque econômico do país no período, obtendo um resultado em valores nominais estimado de R$ 1,16 trilhão.

Para 2026 a previsão é de que a região supere novamente a média nacional e deverá atingir um crescimento perto de 2,5% em relação ao ano anterior (a previsão nacional é de 1,9%), gerando um montante de R$ 1,30 trilhão, indicando a importância da economia regional baseada no agronegócio.

O mercado da reparação automotiva e da comercialização de autopeças no Centro-Oeste

A frota circulante nos estados do Centro-Oeste está atualmente composta por 7,264 milhões de veículos, de todos os segmentos, representando 9,1% do total do país.

Esses veículos circulam por estradas classificadas como regular ou boa nas condições de pavimentação, segundo pesquisas da CNT Rodovias do Ministério dos Transportes, comparados os estados com a média nacional e apresentados na tabela abaixo.

No quadro em seguida é possível perceber que a distribuição por segmento não é exatamente equilibrada. Há uma proporção maior de comerciais pesados (caminhões e tratores) na composição da frota, natural para uma região onde predominam as atividades do agronegócio.

Essa frota total deve gerar negócios na ordem de R$ 11,414 bilhões entre venda de peças e prestação de serviços nos estados da região.

Sobre o número de unidades industriais de montadoras automotivas e do número de concessionárias autorizadas, o quadro abaixo é o demonstrativo desse universo:

Já sobre o faturamento de venda de peças e serviços projetado para a região, com base em estudos da previsão nacional para 2026:

Em todo o país deverão ser comercializados R$ 110 bilhões na ponta de consumo em 2026, após saída das autopeças das fábricas e atravessando toda cadeia de distribiuição. A região do Centrop-Oeste que representa a demanda de 10,37% sobre o país, deve responder por R$ 11,414 desse montante.

Esse total será derivado do atendimento para aproximadamente 4,620 milhões de veículos que demandarão serviços de reparação, conforme quadro abaixo:

Na região Centro-Oeste há uma relação de 2,38 habitantes por veículos. Esse número contempla o montante de relação o que inclui tratores e máquinas agrícolas, o que distorce a curva levemente para cima.

O consumo de combustível nos estados da região é um indicador importante da participação regional da frota. Por exemplo, a participação no consumo de diesel é de 14,4% do total nacional sendo que a região abriga apenas 10,9% da frota de caminhões, 6,6% da frota de ônibus e 14,8% de tratores. Logo, grande parcela dos caminhões que consomem combustível, peças e serviços na região são emplacados em outros estados.

Não é surpresa, apenas constatação, de que a região exporta peças e serviços em especial no atendimento do segmento comercial pesado.

Pontos de negócios automotivos nos estados do Centro-Oeste em 2026
Sérgio Duque
Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário.
Há 30 anos atua no mercado de reposição de autopeças.

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