Transmissão automática e reboque

É preciso explicar ao cliente sobre os problemas de usar reboque nos veículos com o câmbio automático.

Com o aumento do número de motoristas que utilizam veículos que não são caminhonetes para reboque — especificamente SUVs de porte médio e veículos equipados com transmissões CVT —, surgem mais problemas relacionados ao reboque. Em particular, o uso desses veículos para rebocar cargas que excedem sua capacidade pode causar problemas na transmissão e no conversor de torque.

Portanto, se um cliente chegar com uma reclamação relacionada a isso, é tão importante isolar a causa do problema quanto aconselhar o cliente sobre como evitar que ele volte a ocorrer.

Este foi o tema de um podcast Powertrain realizado nos Estados Unidos, e conforme identificado, importante também para os usuários aqui do Brasil, abordar o assunto em detalhes. Não vamos reproduzir toda a conversa, porém transcrevi as dicas do facilitador sobre o que as oficinas podem dizer aos seus clientes a respeito desse problema.

Como você pode educar seus clientes?

“Se você tiver um SUV ou um veículo parecido com o modo de reboque, você pode acessar a tela do painel e verificar a temperatura da transmissão”, diz o podcast. “As oficinas podem ensinar os motoristas a fazer isso, para que o cliente possa navegar pelos modos e descobrir qual é a temperatura da transmissão. E, conforme a temperatura começa a aumentar, qualquer valor acima de 93 graus Celsius (200 graus Fahrenheit) se torna crítico”. 

“Então, o próximo passo é como diminuir o calor e o aumento da temperatura”, continua ele. “Parte dessa conversa, acredito, é para a própria oficina tentar isolar o problema. A outra parte é tentar impedir que os clientes o criem em primeiro lugar”.

“Então, se o cliente perceber que a temperatura aumenta, ele precisa encontrar uma maneira de reduzir esse calor. O ar-condicionado gera calor, os condensadores ficam na frente do resfriador da transmissão e tudo isso acelera o processo. Portanto, ele pode desligar o ar-condicionado.

Em segundo lugar, se estiver com o modo de reboque acionado, ele pode engatar uma marcha em que a embreagem do conversor de torque permaneça acionada, porque sempre que a embreagem do conversor de torque está aberta, ou seja, não está acionada, ela gera calor. Assim, quando os veículos que possuem esse recurso entram no modo de reboque, a embreagem do conversor de torque é acionada mais cedo para reduzir o calor”.

Qual a capacidade de carga do veículo?

O peso bruto do veículo está indicado na moldura da porta, porém, há mais fatores que influenciam a capacidade de carga, conforme observado. Muitos carros de passeio atuais equipados com as transmissões CVT não possuem nenhuma capacidade de reboque extra, e isto é indicado no manual do proprietário que acompanha o veículo.

“O GCW, peso bruto de transporte do veículo, é a soma de todas as pessoas, todos os coolers que você vai colocar no carro, o que você vai rebocar na traseira, o peso do veículo e tudo mais; essa é a capacidade bruta”, diz ele. “Depois que tudo estiver totalmente carregado, a outra parte importante é que cerca de 10 a 15% do peso do veículo no reboque deve estar na própria lança. Um peso de 10 a 15% na lança melhora a estabilidade”. 

“Você deve tentar manter a capacidade bruta de reboque do veículo 20% abaixo da capacidade nominal”, continua ele. “Essa é outra coisa que muita gente não entende. Você pode conseguir iniciar o movimento do peso, mas não necessariamente conseguirá pará-lo. Muitos reboques, se forem de baixa capacidade e estiverem sobrecarregados, não têm freios. Então, quando você aciona os freios, todo o peso é transferido para a frente do veículo e começa a empurrá-lo. E essa pode ser a parte perigosa”. 

“Um detalhe que o proprietário do veículo também deve saber é que os pneus são extremamente importantes para que o reboque siga corretamente atrás do carro”, acrescenta o facilitador. “Então, as pessoas tentam economizar dinheiro no reboque e colocam pneus baratos, que não têm a classificação de velocidade ou as laterais adequadas para o uso. Isso faz com que a traseira do reboque oscile. E se estiver em alta velocidade, os pneus podem até explodir radialmente. A rotação do motor é tão alta que eles se desfazem. Essa é a parte perigosa!”.

Informações sobre a garantia

As informações sobre a garantia são outra oportunidade para educar o cliente — mesmo em um carro mais novo, as circunstâncias do problema podem levar à anulação da garantia.

“É preciso educar o cliente e explicar que, se a loja constatar e puder comprovar que a temperatura ultrapassou um determinado limite, a garantia será anulada”, observa Bob. 

“Durante essa conversa, você pode usar marcadores de tinta sensíveis à temperatura. Você os coloca na linha de resfriamento e, se voltarem derretidos, sabe que excederam o limite de temperatura. Outra maneira seria usar um scanner”.

Caso o veículo possua capacidade de reboque, deve-se sempre utilizar a faixa mais baixa de velocidade indicada na alavanca de mudanças (“LOW”) quando sair com o veículo a partir da imobilidade. Esta posição protege a transmissão aumenta suas pressões internas e aplicam um freio especial para reforçar a capacidade da transmissão.

Uma outra dica apresentada é a instalação de um radiador auxiliar adicional para utilização em reboques frequentes, o que ajuda no resfriamento do sistema e impede que o calor destrua a transmissão, que é o componente mais suscetível de desgaste nestas ocasiões. O técnico deve sempre que possível, aconselhar a instalação de um quando souber que o cliente utiliza frequentemente seu veículo para reboque.

Espero ter, com estas dicas, ajudado os técnicos reparadores a manter seus clientes sempre satisfeitos com o melhor atendimento nas transmissões automáticas.

Carlos Napoletano
Diretor Técnico da Aptta Brasil
www.apttabrasil.com

Confira as principais notícias do setor no portal da Revista Reparação Automotiva.