Produção de veículos amplia desafios de qualidade

A indústria automotiva brasileira produziu 271,2 mil veículos em agosto, o maior volume mensal desde 2019, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Apesar do resultado positivo, cerca de dois terços do aumento da produção no ano vieram de veículos montados nos regimes SKD e CKD, que utilizam veículos ou conjuntos importados desmontados para montagem local.

Esse movimento amplia a integração do Brasil às cadeias internacionais de fornecimento e reforça a importância do controle de qualidade, da rastreabilidade e da gestão de fornecedores. Para o IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), o desafio é garantir que todos os componentes atendam aos mesmos requisitos técnicos, independentemente de sua origem.

“Quanto maior a integração às cadeias internacionais, maior a necessidade de controlar os riscos associados ao fornecimento. Uma interrupção no fornecimento pode parar uma linha de produção, enquanto uma não conformidade não identificada pode comprometer o desempenho, a segurança e a confiabilidade do veículo”, afirma Cláudio Moysés, presidente do IQA.

Gestão da qualidade ganha importância

A dependência de fornecedores internacionais pode ampliar a exposição a riscos logísticos, instabilidades geopolíticas, mudanças regulatórias e limitações de capacidade produtiva. Por isso, a gestão da qualidade precisa atuar em conjunto com a gestão de riscos.

Entre as medidas necessárias estão a homologação e a qualificação de fornecedores, a realização de auditorias, o monitoramento de desempenho e a rastreabilidade dos componentes. Esses processos ajudam a identificar desvios e evitar que falhas comprometam a produção.

Também é importante avaliar possíveis diferenças entre processos produtivos, materiais e requisitos técnicos de componentes fabricados em diferentes países.

Diversificação pode reduzir vulnerabilidades

Para o IQA, ampliar a participação de fornecedores internacionais não significa necessariamente reduzir a dependência externa de forma indiscriminada. O foco deve estar na identificação de componentes críticos, na avaliação de riscos por fornecedor e região e na definição de alternativas de abastecimento.

A integração entre as áreas de qualidade, engenharia, compras, logística e produção também contribui para aumentar a capacidade de resposta diante de interrupções.

Assim, o avanço da produção brasileira precisa ser acompanhado por processos que assegurem consistência da qualidade, rastreabilidade e previsibilidade no fornecimento. O objetivo é garantir que o aumento do volume não amplie os riscos de falhas e que cada componente atenda aos requisitos técnicos e de segurança exigidos pela indústria.

Para mais informações, acesse: www.iqa.org.br

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