especialização

Administração de serviços automotivos

Além dos automóveis convencionais, os eletrificados ganham espaço entre os consumidores e provocam mudanças na reparação de automóveis

O setor de serviços no Brasil é responsável por aproximadamente 65% de todo PIB – Produto Interno Bruto e vem num processo contínuo de reformatação e redefinição de seu ambiente e de suas práticas, que seguem na busca da criatividade, da resiliência e melhor qualidade a fim de conseguir destaque no seu grupo de atuação.

No segmento da reparação automotiva esse processo não é diferente.

 A partir desta edição, iremos apresentar um conjunto de textos técnicos e acadêmicos que pretendem conduzir o leitor a uma reflexão sobre como agir para melhorar a administração dos serviços automotivos.

Parte 1 – A oficina mecânica ideal do mundo em 2026

As principais tendências que vão mexer com o mercado da reparação automotiva e fazer os reparadores entenderem que uma oficina moderna vai muito além do reparo mecânico tradicional, são:

  1. Especialização em Novas Motorizações
especialização

As oficinas que se sustentarão para garantir sobrevivência deverão passar a funcionar como um centro de tecnologia automotiva altamente digitalizado. 

Não haverá mais espaço para processos intuitivos e baseados apenas na experiência do conhecimento. Os veículos novos não param de avançar em tecnologia embarcada.

Com essa constatação real e não mais tendência, o mercado de prestação de serviços automotivos em 2026 deve oferecer suporte completo para atender:

  • Veículos elétricos e híbridos: a cada mês aumenta mais a frota de veículos com essa tecnologia, que precisarão de manutenção de baterias e sistemas de alta tensão.
  • Eletrônica embarcada: É preciso diagnóstico avançado em redes CAN (Controller Area Network). Esses sensores de segurança, que usam cabeamento, permitem troca de dados entre módulos eletrônicos do veículo e equipamentos permitindo um diagnóstico mais preciso.
  • Conectividade: Veículos com cada vez mais integração, inteligência artificial, aplicativos e diagnóstico remoto.

2.Experiência do cliente digital

A interação e parte da comunicação é fluida de forma tecnológica:

  • Agendamento e comunicação: Reservas online e atualizações em tempo real via WhatsApp.
  • Transparência digital: Envio de orçamentos com fotos, vídeos do defeito e checklists digitais para aprovação remota. 
  • Não haverá mais espaço para planilhas e anotações em papel e rascunho com apontamentos simples. O cliente é digital. A oficina deve estar apta para seguir essa tendência, com tecnologia de app’s emissão de nota digital, garantias, e tudo mais que acomode o atendimento em tempo real.

2. Diagnóstico de precisão 

O “achismo” deu lugar a ferramentas de alta tecnologia:

  • Scanners de última geração: Equipamentos que se conectam a veículos hiper conectados para identificar falhas complexas rapidamente.
  • Osciloscópios: Utilizados para análises precisas de sinais elétricos e injeção eletrônica. 

3. Gestão e sustentabilidade

  • Automação de processos: Sistemas integrados que controlam desde o estoque de peças em tempo real até a emissão de notas fiscais.
  • Práticas sustentáveis: Foco na redução de emissões e descarte correto de resíduos químicos (prática e produção mais verdes), atendendo às novas regulamentações de 2026, bem como crescente presença de peças recicláveis.
  • Surgimento cada vez mais intenso de novas oficinas com selo de sustentáveis.

4. Serviços tradicionais otimizados

Embora modernos, os serviços essenciais deixarão de ser apenas o corretivo, agora executados com maior rapidez: 

O perfil dos clientes sofrerá mudanças perceptíveis e que exigem mais aproximação dos reparadores. Muitos não mais serão donos dos veículos, mas usuários de unidades de locadoras. O cliente pode ser a locadora ou o frotista e não mais o proprietário. Neste contexto, o que irá prevalecer são:

  • Revisões preventivas e trocas de óleo.
  • Alinhamento 3D e balanceamento computadorizado.
  • Manutenção de sistemas de freios, suspensão e motores de 3 cilindros. 
  • Cargas em baterias e revisões elétricas.
Sergio Duque
Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário. Há 30 anos atua no mercado de reposição de autopeças

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