A demanda estimada de pneus no Brasil em 2026

38,63 milhões de compostos de borracha serão comercializados no segmento da reposição este ano  

Em 2024, no País foram comercializados aproximadamente 50,59 milhões de pneus, uma queda de 2,7% em relação a 2023.  No ano seguinte, em 2025 houve uma sensível recuperação e o número chegou próximo a 53,1 milhões, acréscimo de 4,9% em relação ao ano anterior.

Em 2026 estima-se que serão vendidos 56,3 milhões de unidades, 6,0% a mais, sendo 31,4% deste montante para atender o mercado de veículos novos OEM (cerca de 17,67 milhões) e outros 68,6% destinados a o mercado da reposição brasileiro (equivalentes a mais 38,63 milhões de unidades).

Na tabela abaixo segue a previsão de venda demonstrada por segmento da frota. 

Venda de PneusPrevisão para 2026
Segmentos AutomotivosMontadorasReposição
Automóveis8,1 milhões17,75 milhões
Comerciais Leves3,25 milhões5,28 milhões
Caminhões1,05 milhões3,25 milhões
Ônibus250 mil1,25 milhões
Máquinas Agrícolas120 mil450 mil
Motos4,5 milhões12,0 milhões
Semirreboques e Implementos400 mil650 mil
Total17,67 milhões38,63 milhões

Observação: Os cálculos para 2026 são da equipe da GeoAfter e tem por base projeção sobre dados estatísticos divulgados pela ABFB referentes aos anos de 2023, 2024 e previstos para 2025.

Do total de 38,63 milhões de pneus que se estima serão comercializados no segmento da reposição em 2026, perto de 20% constituem unidades reformadas, com alta participação no segmento de veículos pesados e de implementos.

Já a venda de unidades novas, deve-se ressaltar que a indústria nacional segue sofrendo os impactos causados pelas importações, principalmente, de pneus de origem asiática. Os últimos anos consolidaram um período de variação acentuada de desempenho de vendas do setor, oscilando entre os segmentos de veículos leves e pesados.

A Reciclanip, que é uma organização que coordena o trabalho da logística reversa de pneus, contratando operacional de coleta e destinação de pneus classificados como inservíveis, acredita que em 2025 cerca de 500 mil toneladas de pneus foram recolhidas e destinadas ao reaproveitamento de diversas formas.

De acordo com o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), de 2011 até 2023 a indústria nacional de pneus destinou mais de 5,1 milhões toneladas de pneus inservíveis.

Fonte da imagem: Reciclanip

Os pneus inservíveis não compõem o universo daqueles que serão recapeados e voltarão para uso como alternativa mais barata para o segmento da reposição automotiva. Compreendem apenas pneus que serão triturados com destinação para fins de usos diversos.

Um pneu de automóvel de passeio pesa em média de 8 a 11 kg, mas esse peso pode variar dependendo do tamanho, tipo, modelo e aro. Os menores e para carros mais leves podem pesar entre 6,5 kg e 8 kg, enquanto pneus de SUVs, caminhonetes ou com aros maiores tendem a ser mais pesados, podendo ultrapassar os 10 kg. 

O peso de um pneu de caminhão varia bastante, mas geralmente fica entre 30 kg e 80 kg, dependendo do tamanho, aro (como 22.5), tipo e marca. Um pneu para caminhões mais leves pode pesar cerca de 22 kg, enquanto pneus de caminhões pesados podem chegar a 57,74 kg ou até mais.  Com base nesses números sobre peso de pneus, considerando-se também a proporção da frota circulante, é possível estimar que entre 4 e 5 milhões de unidades reformadas (recapeadas) constituam o universo da demanda da reposição, já inclusas no cálculo total de 38,63 milhões de unidades registrado no quadro acima.

O ciclo dos pneus

1º cicloO pneu é produzido nas fábricas.
2º cicloÉ vendido ao consumidor em lojas de revendas.
3º cicloCom o uso acontece o desgaste. Torna-se necessário o rodízio dos pneus.
4º cicloReformadoras aproveitam aqueles pneus ainda possíveis de extensão de duração da sua vida útil. Etapa da recapagem.
5º cicloClassificação dos inservíveis. Não podem mais ser reaproveitados. Descarte.
6º cicloEncaminhados para pontos de coletas e destinação de sobre uso.
7º cicloPneus são triturados e reaproveitados como matéria-prima para confecção de outros produtos como quadras esportivas, pisos industriais, tapetes para autos, solas de borracha para calçados, para adição em massa asfáltica, mistura de cimento, entre outros.

Há uma forte conscientização no país sobre a destinação de pneus inservíveis, embora ainda não suficiente sobre o que deveria existir, já que muitos descartes de pneus são feitos ainda de forma não sustentável e que contribua para a preservação da natureza e da qualidade de vida.

A Reciclanip, em seu site institucional, alega que os fabricantes já investiram cerca de R$ 2 bilhões nos últimos anos com logística reversa de descarte, demonstrando comprometimento com a causa.

Sergio Duque
Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário.
Há 30 anos atua no mercado de reposição de autopeças

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