A transição para os veículos elétricos e híbridos já transforma o mercado automotivo brasileiro. Com o avanço da frota eletrificada, as oficinas independentes também precisam adaptar sua estrutura, seus processos e a qualificação das equipes.
Nesse cenário, o Sistema Fiep, por meio do Instituto Senai de Tecnologia e Produtividade, e o Sebrae PR apresentam o programa Oficina do Futuro. A iniciativa oferece consultoria especializada para ajudar empresas de reparação a se prepararem para atender a nova geração de veículos.
Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram esse avanço. Em 2020, o Brasil registrou 7.568 carros eletrificados vendidos. Já em 2025, esse número chegou a 223.192 unidades.
No Paraná, os veículos leves eletrificados representam 11,19% do mercado de vendas. Curitiba lidera os emplacamentos estaduais, com 44,78%, seguida por Londrina, Maringá e São José dos Pinhais.
Com o crescimento da frota, surge também uma nova demanda para o mercado de pós venda. Os primeiros veículos elétricos e híbridos comercializados entre 2020 e 2021 começam a deixar o período de garantia das concessionárias. Assim, parte desses proprietários deve buscar oficinas independentes para realizar manutenções e reparos.
Segurança é um dos principais desafios
Os veículos eletrificados exigem conhecimentos específicos e uma estrutura adequada para manutenção. Sistemas de alta tensão, baterias de íon de lítio e componentes de eletrônica de potência exigem protocolos rigorosos de segurança.
Por isso, procedimentos inadequados podem provocar choques elétricos, incêndios e danos aos componentes do veículo.
O programa Oficina do Futuro busca orientar os empresários antes da realização de investimentos. A proposta é identificar as necessidades de cada negócio e estabelecer uma evolução gradual.
“A eletrificação da frota é um caminho sem volta no Brasil, mas a transição para as oficinas não pode ser feita na base do improviso. Atender um veículo elétrico exige muito mais do que ferramentas específicas; exige processos mapeados, adequação rigorosa de infraestrutura e uma cultura inegociável de segurança em alta tensão”, afirma Ivan Aécio Bernardo Martins, coordenador de Otimização de Manufatura e Eficiência Energética do Senai Tecnologia e Inovação do Paraná.
Oficina do Futuro estabelece níveis de atendimento
O programa é dividido em oito encontros presenciais e remotos. A consultoria estabelece três níveis de atuação para as oficinas:
Nível 1, Serviços Básicos: contempla inspeções visuais, suspensão, freios e troca de pneus. O objetivo é permitir o atendimento sem intervenção direta nos componentes de alta tensão.
Nível 2, Diagnóstico e Manutenção Técnica: prepara a oficina para realizar a desenergização segura do sistema, testes de isolamento e reparos em módulos de baixa tensão.
Nível 3, Intervenções Avançadas: permite atuar diretamente na bateria de tração, inversores e componentes energizados. Para isso, são necessárias instalações com segregação de área e proteção adequada.
Além disso, o diagnóstico avalia a maturidade da empresa em cinco estágios, do Nível 0, Não Enquadrado, ao Nível 4, EV Ready.
Ao final, o empresário recebe um plano de ação baseado na metodologia 5W2H. O documento inclui orientações sobre layout, equipamentos, treinamentos, investimentos e prazos para adequação da oficina.
Sebrae PR oferece subsídio para oficinas
Para facilitar o acesso das pequenas empresas à consultoria, o Sebrae PR oferece 50% de subsídio sobre o valor do programa.
O investimento total é de R$ 9.120, enquanto as oficinas participantes pagam R$ 4.560. O valor pode ser parcelado no cartão de crédito ou boleto.
A iniciativa tem como meta atender 55 oficinas até 2027. As empresas estarão distribuídas entre as regionais de Curitiba, Região Metropolitana, Noroeste, Campos Gerais, Oeste, Norte e Sudoeste.
Com a iniciativa, Senai e Sebrae PR buscam apoiar a preparação das oficinas paranaenses para a evolução da mobilidade e para o crescimento da demanda por serviços relacionados aos veículos eletrificados.
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