A Anfavea revisou novamente para cima as projeções de vendas e produção de veículos para 2026. A atualização considera o desempenho positivo registrado no terceiro trimestre.
Para as exportações, entretanto, a entidade reduziu mais uma vez a estimativa diante da queda dos embarques.
Vendas devem alcançar 3,1 milhões de veículos
A Anfavea projeta 3,1 milhões de autoveículos emplacados no Brasil em 2026, volume que não é registrado desde 2014. Se confirmado, o resultado representará alta de 15,2% sobre 2025.
A previsão supera a estimativa de apenas 2,7% feita no início do ano. O crescimento deve ser liderado por automóveis e comerciais leves, cuja projeção de alta passou para 16,4%.
Por outro lado, o segmento de veículos pesados deve recuar 6,5% no ano. A categoria reúne caminhões e ônibus.
Produção nacional cresce, mas importações avançam
A produção brasileira também teve a projeção revisada. A expectativa de crescimento sobre 2025 passou de 5,8%, estimada em julho, para 6,7%.
Com isso, a produção deve superar 2,8 milhões de autoveículos, melhor resultado desde 2019. Entretanto, a Anfavea destaca que parte relevante desse avanço ocorre por meio de veículos parcialmente desmontados, nos sistemas CKD e SKD.
“Não há como não comemorar resultados tão expressivos do mercado interno, retomando patamares não verificados há mais de uma década”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Segundo o executivo, porém, o aumento das importações e a queda das exportações pressionam a balança comercial. Além disso, os modelos montados em SKD utilizam menos componentes produzidos pela indústria brasileira.
Setembro tem melhor produção desde 2014
Em setembro, a produção alcançou 268,3 mil autoveículos, melhor resultado para o mês desde 2014. No acumulado até setembro, foram produzidas 2,166 milhões de unidades, alta de 8,7% sobre o mesmo período de 2025.
Do aumento de 173 mil unidades na produção, 50 mil vieram da produção local plena. As outras 123 mil foram montadas nos sistemas CKD e SKD.
As vendas também apresentaram forte desempenho. Setembro registrou 281,4 mil emplacamentos, maior volume mensal desde dezembro de 2014.
Eletrificados impulsionam vendas
Os automóveis foram o principal destaque do mercado. As vendas cresceram 22,5% no acumulado do ano, com acréscimo de aproximadamente 350 mil unidades.
Desse volume, 84 mil unidades estão relacionadas ao programa Carro Sustentável. Além disso, os veículos eletrificados contribuíram com 242 mil unidades adicionais.
Os elétricos puros, em especial, triplicaram as vendas no período. Até setembro, os eletrificados responderam por 69% do crescimento das vendas e alcançaram 20,1% dos registros de veículos leves 0 km.
Enquanto isso, os veículos pesados seguem em recuperação mais lenta. Nos primeiros nove meses, as vendas de caminhões recuaram 3,8%, enquanto as de ônibus caíram 4,4%.
Exportações recuam e importações avançam
As exportações continuam abaixo de 40 mil unidades mensais há seis meses. No acumulado de 2026, os embarques somam 334 mil veículos, queda de 23%.
A Argentina concentra parte importante desse recuo. Para o país, os embarques diminuíram quase 100 mil unidades, diante da retração do mercado local e da maior participação de modelos chineses e mexicanos.
Ao mesmo tempo, as importações cresceram. Até 2026, o Brasil recebeu 463,9 mil autoveículos importados, alta de 30,4%.
Os veículos chineses representam 55% das importações e já correspondem a 11,3% do mercado nacional. Com isso, a balança comercial do setor registra déficit após anos de resultados positivos.
Para mais informações, acesse: anfavea.com.br
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