É necessário trocar o lubrificante de um câmbio automático que não passou por manutenções periódicas?
Você deve se preocupar em trocar o fluido de uma transmissão automática com alta quilometragem? Dizem por aí que isso pode causar falhas — aqui está a verdade.
Existe um mito persistente no mundo automotivo que diz que, se uma transmissão ultrapassou em muito o intervalo de manutenção recomendado, o fluido antigo deve ser deixado de lado. Segundo essa teoria, a troca desse lubrificante pode causar, repentinamente, trocas de marcha ruins ou até mesmo a falha completa.
Existe um histórico por trás dessa preocupação, mas as transmissões modernas mudaram a situação.
Por que surgiu o mito sobre a troca do fluido?
Nos câmbios mais antigos, a substituição do fluido envelhecido por um produto com características de fricção diferentes podia, por vezes, alterar a forma como os discos da embreagem engatavam. O resultado podia ser mudanças das marchas perceptivelmente diferentes ou mais bruscas, e esses sistemas mais antigos tinham uma capacidade limitada de compensação.
Como as transmissões modernas lidam com o envelhecimento do fluido?
As transmissões modernas controladas eletronicamente são muito mais sofisticadas.
Normalmente, utilizam sensores de velocidade de entrada e saída que permitem ao sistema de controle da transmissão monitorar o que acontece durante uma troca de marcha. Se uma troca se tornar muito brusca ou começar a patinar, o sistema pode fazer ajustes nas pressões de operação e nas características da troca. Essas correções ajudam a proteger os componentes internos da embreagem, mantendo uma qualidade de troca aceitável.
O fluido antigo ajuda a manter uma transmissão desgastada?
Outro aspecto do antigo mito sobre o fluido de transmissão envolve a contaminação. Algumas pessoas acreditam que partículas metálicas e material de embreagem desgastado, suspensos no fluido velho, fornecem atrito adicional suficiente para manter uma transmissão desgastada em funcionamento.
Na realidade, grande parte desses detritos é retida pelo filtro de transmissão. As transmissões modernas também podem incorporar telas e outros pontos de filtragem internos projetados para impedir que detritos maiores circulem livremente pelo sistema, principalmente nos componentes do corpo de válvulas e solenoides.
Nada disso significa que uma transmissão com alta quilometragem esteja necessariamente em boas condições. Se os componentes internos já estiverem muito desgastados, os sintomas ou falhas podem aparecer independentemente da troca do fluido. Fluido novo não reverte danos mecânicos existentes.
Quando a manutenção atrasada justifica a troca do fluido?
Mas a manutenção atrasada, por si só, não é motivo para evitar automaticamente a manutenção da transmissão.
Quando a manutenção é apropriada, a substituição do fluido envelhecido e a limpeza ou troca do filtro ajudam a fornecer as características de fluido e filtragem para as quais ela foi projetada. Os controles adaptativos de transmissão modernos também são muito mais bem equipados do que os modelos anteriores para lidar com as mudanças na qualidade das trocas de marcha à medida que a transmissão envelhece.
Portanto, quando um veículo chega à oficina muito depois do intervalo de troca do fluido de transmissão, não presuma que deixar o fluido antigo está protegendo a unidade. A condição da transmissão deve guiar a recomendação — e não um mito ultrapassado de que o lubrificante novo causa falhas.
Como avaliar a transmissão antes de trocar o ATF?
O técnico deve executar os procedimentos de análise da transmissão, rodando com o veículo para avaliar a qualidade das mudanças, tanto ascendentes quanto descendentes, aplicar um scanner para ver se existem códigos de falha relacionados com a transmissão, retirar uma amostra do fluido usado para verificar se ele está translúcido e sem cheiro de queimado, o que indicaria danos no mesmo.
Caso estes exames indiquem que a transmissão pode receber fluido novo, não há nada que impeça que se realize a troca do ATF, o que somente melhoraria a qualidade das mudanças e o funcionamento da transmissão, de modo geral.
A importância da manutenção do ATF e do sistema de arrefecimento
Oriente sempre o cliente a manter em dia o fluido da transmissão automática, bem como o líquido de arrefecimento do motor, uma vez que estes hábitos preservam a integridade do sistema de arrefecimento, preservando o trocador de calor de corrosão e consequente contaminação de água + etileno glicol no ATF, danificando irremediavelmente a transmissão.
Transmissões CVT exigem atenção especial
Este conselho é de especial valia em transmissões CVT, que são muito comuns no mercado hoje, realizando a troca do ATF se possível em intervalos de 30.000 quilometros, o que preserva a vida da transmissão e o bolso do cliente, caso haja falhas na transmissão, por falta de manutenção preventiva.
Informação técnica para combater mitos
A Internet traz muitas boas informações, mas também traz mitos que podem revelar o quanto o conhecimento incorreto da transmissão automática e do veículo em geral podem prejudicar o atendimento de nossos clientes.
Até a próxima e um ótimo mês de trabalho a todos!

Diretor Técnico da Aptta Brasil
www.apttabrasil.com



