Olá, pessoal. Iniciamos mais um ano. Que 2026 seja repleto de realizações, com muita saúde, paz, alegrias e conquistas.
O setor de reparação automotiva, sem dúvidas, continuará apresentando grandes oportunidades nos próximos anos, tanto para empresários quanto para os profissionais da área técnica. O cenário atual aponta sinais claros de otimismo, apesar dos desafios.
A taxa de juros permanece alta, com previsão de redução lenta nos próximos 12 meses. O ano de 2025 fechou com número histórico de vendas de veículos seminovos e usados. Para 2026, a previsão de crescimento de veículos novos é baixa, segundo a Anfavea. Soma-se a isso o aumento da idade média da frota para 12,4 anos e a projeção de crescimento gradual da frota entre 3% e 4% ao ano até 2030, conforme estudos da Senatran.
Esses dados reforçam um cenário favorável para o setor. No entanto, também evidenciam fraquezas que precisam ser trabalhadas e ameaças que devem ser neutralizadas.
Quando falamos em fraquezas, duas se destacam de forma clara. A primeira é a profissionalização da gestão das oficinas. A segunda é a formação de mão de obra básica.
A gestão não pode mais ser tratada como algo secundário ou apenas como um diferencial competitivo. Ela é uma necessidade básica para qualquer oficina. Nenhuma empresa de reparação automotiva é pequena demais para ter uma gestão eficiente.
Sistema de gestão não é despesa que reduz lucro. Profissional capacitado para administrar a oficina não é custo a ser comparado com o salário de um técnico. A visão do empresário precisa ir além dos problemas técnicos dos veículos e passar a contemplar indicadores de desempenho, gestão financeira e performance do negócio.
Em 2025, com a graça de Deus, completei 20 anos de atuação em consultoria no setor de reparação automotiva. Foram duas décadas dentro de oficinas pequenas, médias e grandes, com experiências em todo o Brasil, convivendo com empresários, indústria e profissionais do setor.
Ao longo dessa trajetória, sempre defendi a importância da gestão dentro das oficinas. E, com preocupação, percebo que a mudança de mentalidade do “dono de oficina” para o empresário ainda acontece de forma muito lenta.
Hoje, quando existe investimento em capacitação, cerca de 95% dele é direcionado à atualização técnica. Em muitos casos, chega a 100%. Isso se reflete diretamente em decisões estratégicas baseadas apenas em conhecimento técnico.
O resultado é um padrão recorrente no mercado. Oficinas extremamente eficientes na resolução de problemas dos clientes, mas sem informações de gestão para tomar decisões. Dificuldades na gestão de equipes. Falta de clareza na precificação de peças e serviços. Ausência de posicionamento de mercado. Técnicos com supersalários, muitas vezes ganhando mais que o empresário. Baixa lucratividade, fluxo de caixa frágil e alto nível de estresse para manter o negócio funcionando.
A primeira informação que qualquer empresário precisa ter é simples e direta: sua empresa gera lucro ou prejuízo. Para isso, é indispensável utilizar o DRE, o Demonstrativo de Resultado do Exercício.
O problema é que, na prática, apenas entre 10% e 20% das oficinas utilizam o DRE mensalmente. E estou sendo otimista.
Precisamos profissionalizar o setor de reparação automotiva. Isso exige mais empresários e menos “donos de oficina”.
Nas próximas edições, falaremos sobre a segunda grande fraqueza, a formação de mão de obra básica, e sobre as ameaças que precisam ser neutralizadas para garantir a sustentabilidade do setor.

Consultor Automotivo especializado em gestão de oficinas.
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