Polêmica: IA X Diagnóstico

A inteligência artificial ajuda ou atrapalha o diagnóstico?

Caro amigo leitor assíduo das colunas da Revista Reparação Automotiva, para nós colunistas, editores, diagramadores, que formamos uma equipe, para levar até você a cada mês informações pertinentes que auxiliem no dia a dia de trabalho, aprendemos juntos a acompanhar a evolução de nosso setor, é uma grande satisfação tê-lo conosco em mais uma edição.

IA X Diagnóstico

O que achou do tema deste mês?  Vai lá, comenta nas redes sociais da Revista, nas minhas redes, sugira temas que lhe interessa, para trazermos aqui nas colunas seguintes.

Alguns pensam que estou indo contra a evolução tecnológica, contra o desenvolvimento da mobilidade, não é mesmo?

Pois bem, não estou. Muito pelo contrário, sou aficionado por avanços tecnológicos automotivos. Porém, trago sempre comigo, minhas ressalvas.

Não há como parar no tempo ou tentar voltar nele, o relógio segue o seu sentido, sempre para frente, assim deve ser nossa visão profissional.

Quero trazer um breve relato desta evolução:

Era do Vapor e Primeiros Motores (Século XVIII a XIX): Em 1769, os motores a vapor permitiram o transporte de pessoas. Em 1885, Karl Benz construiu o primeiro automóvel movido com motor a combustão interna.

Trator a Vapor – Museu AGROMEN

Produção em Massa (1913): Henry Ford revolucionou a indústria com a linha de montagem e o Ford Model T, tornando os carros acessíveis.

Exemplar de coleção do Museu AGROMEN

Eletrônica e Injeção (Década de 1980): Os carburadores deram lugar à injeção eletrônica, melhorando a eficiência e reduzindo a poluição.

Audi 80 – Injeção Eletrônica, ABS, Transmissão Automática

  • Segurança e Condução Assistida (Anos 90 em diante): Popularização de freios ABS, airbags e do Controle de Cruzeiro Adaptativo.
  • Conectividade e Eletrificação (Atualidade): Crescimento dos carros elétricos e híbridos, centrais multimídia, atualizações over-the-air e sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS).

Vimos todas estas tecnologias chegarem, sempre houve apreensão por parte da classe reparadora, sempre uma pergunta:

E agora?

Talvez, esta seja sua pergunta hoje, e agora:

  • Como vou encarar estes desafios?
  • Quanto vou precisar investir?
  • Melhor parar ou seguir em frente?

Lógico, que seguiremos em frente!

As evoluções chegam para agregar aquilo que já dominamos. Isto mesmo que você leu, O que já dominamos.

Não é diferente com a inteligência artificial que está sendo integrada, aos sistemas de diagnóstico, de funcionalidade, ela não irá resolver nada sem seu conhecimento. Por este motivo trago aqui nesta edição, um diagnóstico, onde utilizei a IA- Inteligência Artificial, de forma correta e incorreta, para mostrar o que ajuda e o que atrapalha.

Diagnóstico Real

Veículo: Onix Turbo2023

DTC: P0299-00 diminuição de pressão do turbo.

Até aqui, tudo bem. Leitura de scanner, um DTC comum em diagnóstico de veículos com turbo compressor.

Você reparador já segue o passo a passo, conferir, mangueiras de entrada e saída do turbo, conferir entrada falsa de ar, coletor de admissão, tudo certo, este é o caminho. Porém seguindo todas estas etapas, e não encontrando nada, vamos buscar ajuda na IA.

Para utilizar a IA, você precisa fazer as perguntas de forma correta, saber o que está trabalhando, ter domínio do assunto técnico, então vamos a pergunta:

Como resolver o DTC P0299 do Ônix Turbo?

O DTC P0299 no Chevrolet Onix (motores CSS Prime 1.0 Turbo / 1.2 Turbo) indica Pressão Insuficiente do Turboalimentador (Turbocharger Underboost Condition).

Em termos de estratégia da ECU, isso significa que a pressão real medida no coletor/pressurização ficou abaixo do valor ideal estipulado no mapa de carga por um determinado período.

Principais Causas no Onix Turbo (da mais frequente à mais complexa)
  1. Mecânica da Wastegate e Haste do Atuador:

Folga no eixo/portinhola da wastegate: Muito comum com a rodagem. A portinhola não veda 100% na caixa quente, vazando gases de escape antes da hora e impedindo o carregamento correto da turbina.

Desregulagem/Desgaste da haste de acionamento: A haste que liga o atuador pneumático à wastegate perde a pré-carga ou apresenta emperramento mecânico.

  1. Linha de Vácuo e Bomba de Vácuo:

Deficiência na Bomba de Vácuo: Se a bomba de vácuo acionada pelo comando não gerar o vácuo correto (devido a contaminação/degradação da correia dentada imersa em óleo ou óleo fora da especificação Dexos1 Gen2/Gen3), o atuador pneumático não consegue puxar a haste da wastegate com pressão suficiente.

Vazamento nas mangueiras de vácuo ou solenoide TPC (Turbocharger Pressure Control): Mangueiras trincadas, ressecadas ou solenoide de controle com falha mecânica/elétrica.

  1. Vazamentos na Pressurização/ Admissão

Trincas em mangotes de intercooler, abraçadeiras frouxas ou furinho no próprio intercooler.

  1. Sensores MAP/ Boost Sensor:

Leitura incorreta ou sujeira/óleo no sensor de pressão do coletor/pressurização.

Interferência eletromagnética (Ruído de LED aftermarket). A instalação de lâmpadas LED de baixa qualidade em faróis/lanternas pode induzir ruído elétrico na malha do sensor de pressão (5V / Massa), fazendo a ECU ler queda de pressão irreal.

Roteiro de Diagnóstico Recomendado

  1. Análise de Dados em Tempo Real (Live Data).

Comparar Pressão Desejada (Target Boost) x Pressão Real (Actual Boost) sob carga (3ª marcha acelerando forte).

Observar a porcentagem de ciclo de trabalho (duty cycle) do atuador da wastegate.

  1. Teste de Vácuo da Wastegate.

Aplicar vácuo direto na bomba manual (mitivac) no atuador da wastegate e checar se ele segura vácuo e se a haste movimenta suavemente até o batente.

Verificar o valor de vácuo fornecido pela bomba de vácuo do motor.

  1. Inspeção Física da Wastegate.

Com o motor frio, verificar se há folga radial/axial excessiva no eixo da portinhola de exaustão na carcaça quente.

  1. Verificação da Pressurização.

Fazer teste de estanqueidade no sistema de admissão/intercooler aplicando fumaça/pressão simulada.

  1. Verificação Elétrica e Sinal.

Checar alimentações (+5V, massa) e sinal do sensor de pressão com osciloscópio se houver suspeita de oscilação/ruído elétrico.

O roteiro estabelecido acima, está correto, são informações que a IA – Inteligência Artificial, buscou em seu banco de dados, que é a própria internet onde pesquisamos. Porém, não existe uma receita pronta, pois se não há informação na web, ela também não tem.

Muitos profissionais deixam de estudar, buscar conhecimento, e correm atrás apenas de respostas prontas, como os grupos de WhatsApp.

Quando você diz para IA, que checou tudo e está tudo perfeito?

Então, ela te dá a informação mais comum:

Calibração de Software!

Porém, não é este o defeito do veículo.

Aqui entre o conhecimento técnico do reparador:

Quando começou o defeito?

O que foi feito neste veículo?

Observou quando a falha aparece?

Após você responder estas três perguntas, volte a IA, aplique as respostas, então buscará registros com esta informação.

Esta matéria por exemplo, após sua publicação, ela se torna fonte de informação para a IA, isto mesmo, a cada informação que publicamos correta, ela se alimenta destas, adicionando seu “conhecimento”.

Falha encontrada, com IA:

Após a informação passada corretamente, dizendo o exato momento da falha, a resposta apresenta pela IA, foi mais assertiva.

Informação Passada a IA:

Veículo apresenta a falha, após rodar em média 5 km, mantendo o acelerador a 2 mil rpm, ao soltar o acelerador ou tentar uma retomada leve, o defeito aparece.

Então a reposta:

Possivelmente, microfissuras no coletor de escape para o turbo, que ao rodar esta quilometragem apresenta uma dilatação maior sobre pressão, impedindo a identificação visual ou com máquina de fumaça.

Não é possível ver a trinca a olho nu, é preciso usar um microscópio de eletrônica:

A base de apoio da wastegate possui microfissuras, que só apresentam perda após dilatação e pressão de rodagem.                                         

Caro amigo leitor, enceramos esta edição, lembrando que as novas tecnologias vieram, continuarão vindo, para agregar e facilitar nosso trabalho. Porém, se o profissional não buscar qualificação técnica, manter-se atualizado, ele poderá se perder na utilização destes novos recursos.

Obrigado por estar conosco mais uma vez, te aguardo na próxima edição!

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Prof. Leandro Marco
Há 40 anos no setor da reparação automotiva.
Graduado em mecatrônica automotiva, com especialização em engenharia automotiva, engenharia de corrosão e desgaste.

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