diagnóstico da transmissão

Códigos de diagnósticos armazenados mostram qual é o problema

O técnico em transmissão automática precisa ter conhecimento e sensibilidade ao avaliar o defeito.

Figura 1

Após oito meses em uso, uma transmissão 62TE reconstruída de um Dodge Journey 3.6L de 2015 retornou à Oficina apresentando um problema de “impossibilidade de movimento”.

Os técnicos conectaram um manômetro à transmissão, que indicou pressão adequada. Eles realizaram uma verificação completa do sistema com um scanner, que identificou dois códigos de diagnóstico: 

  • P0721 Que indicava uma falha no desempenho do sensor de velocidade de saída, 
  • Código P0731 indicando uma relação de transmissão incorreta na primeira marcha. 

O código de falha P0721 pode certamente ser a causa do aparecimento do código P0731. Se houver uma falha de sinal neste sensor, os cálculos da relação de transmissão serão afetados.  

Sabendo que não havia problema de pressão e que o problema estava no sensor de velocidade de saída. O técnico responsável pelo diagnóstico em transmissões automáticas, decidiu analisar os dados do identificador de parâmetros do sensor de velocidade. Ele descobriu rapidamente que o OSS registrava um sinal quando ele selecionava Drive ou Reverse com o pé no freio. O valor deveria ter caído para zero RPM. Isso indicava que havia algo errado com um componente na transmissão. Um cubo quebrado, um eixo rompido ou uma estria danificada interromperiam o fluxo de torque para as rodas, causando a condição de não movimento. Essa interrupção no fluxo de torque para as rodas era o que permitia ao OSS receber um sinal quando a transmissão era engatada com os freios acionados.   

Com esse diagnóstico, o técnico removeu a transmissão para uma inspeção minuciosa. Ele prestou muita atenção à procura de peças quebradas ou danificadas enquanto desmontava a unidade. Ao remover a porca da engrenagem de transferência, percebeu que ela girava enquanto a porca e o eixo permaneciam imóveis. Depois de desmontar tudo, ele encontrou o problema. A estria do eixo central e da engrenagem de transferência estava danificada (veja as Figuras 1, acima, e 2, abaixo). Esses dois códigos de diagnóstico revelaram tudo, e o técnico acertou em cheio.

Figura 2

Ao entrar em contato com seu fornecedor de peças, eles informaram que esse problema é frequente durante a desmontagem de unidades para reaproveitamento de peças. Isso certamente reforça a importância da inspeção dessa área para evitar a montagem de uma unidade com estrias ligeiramente desgastadas — e isso vale também para peças usadas.

O que aprendemos com isso? O seguinte: Os códigos de falha são muito úteis para diagnosticar um problema na transmissão, porém a informação deles por si só não é suficiente para indicar o que realmente está ocorrendo com a transmissão. É preciso que o técnico analise o que está por trás destas informações, porque falhas mecânicas geralmente não são indicadas por estes códigos, porém nada substitui o raciocínio do técnico, e o conhecimento real que ele tem da transmissão. Lembre-se disso quando utilizar os códigos de falha como ponto de partida no diagnóstico de transmissões.

Um ótimo 2026 a todos os técnicos e até o próximo mês!

Carlos Napoletano
Diretor Técnico da Aptta Brasil
www.apttabrasil.com

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