combustão

A combustão não morreu, mas a concorrência veio para ficar…

A chegada dos combustíveis sintéticos, o e-fuels e dos híbridos chineses mostra que o processo da descarbonização não precisa ser totalmente elétrico.

Um grande paradoxo paira sobre o mercado europeu e com certeza reflete diretamente na reposição automotiva do Brasil. O motor a combustão tinha data de validade e essa narrativa dava como prazo 2035. Mas, como eu já havia comentado, mesmo com muita polêmica, a União Europeia abriu uma exceção crucial para as montadoras continuarem com motores a combustão, desde que cumpram a exigência de um limite de 90% de redução de emissões, em vez dos 100% inicialmente previsto. É aí que os e-fuels ganham protagonismo e força.

O motor a combustão ganha sobrevida

Isso não é um retrocesso na flexibilização da lei, mas um reconhecimento de que a descarbonização pode seguir caminhos diversos. A Alemanha foi um dos países europeus que mais pressionou para que novas tecnologias a combustão continuem sendo vendidas após 2035, desde que movidos por e-fuels, que são neutros em carbono.

Isso é um enorme alivio para o Brasil, é uma grande confirmação de que a aposta no Etanol sempre foi correta. A tecnologia interna dos motores, por incrível que pareça, continua extremamente relevante. Demandas por pistões, anéis, juntas, sistemas de injeção e outros componentes internos continuarão fortes por mais tempo do que o previsto. Isto é uma sobrevida tecnológica para a manutenção tradicional, e o lojista de autopeças também pode respirar mais tranquilo.

Sem olhar no retrovisor chinesas avançam

Enquanto explodem os debates sobre combustíveis no mundo político europeu, nas ruas do velho continente a realidade é outra. Avançando a passos largos, ignorando toda e qualquer incerteza sobre os motores a combustão, chinesas como BYD e MG invadem o mercado não apenas com elétricos puros, mas inundando com híbridos plug-in de alta tecnologia e preços altamente competitivos.

Recado para o Brasil. Essas marcas não estão brincando. Elas utilizam a Europa como vitrine de alta qualidade e tecnologia para desembarcar em avenidas e estradas brasileiras com força total. O aplicador brasileiro precisa estar preparado para em breve se deparar com carros de complexas arquiteturas eletrônicas, onde um sistema hibrido terá um motor a combustão como parte integrada.

Desafio da Reposição

O futuro próximo mistura dois cenários, motores a combustão de extrema eficiência dependente de eletrônica de ponta vivendo lado a lado com a veloz eletrificação das marcas chinesas. O reparador deverá estar capacitado tanto a dar precisos diagnósticos para combustíveis sintéticos, ou etanol avançado, como precisará dominar sistemas de alta tensão de eletrificação. O fim do motor a combustão foi adiado, mas o futuro já chegou, a transformação da reparação automotiva agora é inevitável!

Até que venham novas regulamentações…

FONTES:
European Commission – E-Fuels and Euro 7 implementation guidelines.
European Automobile Manufacturers Association (ACEA) – Market Share Report 2025/2026
JATO Dynamics – European Electric & Hybrid Vehicle Market report
Automóvel Clube de Portugal

Ton Ferreira
Publicitário com especialização em marketing, acumula 26 anos no de atuação no mercado de autopeças. Consultor e Palestrante em Gestão Empresarial, Liderança, Comercial e Motivacional. Vive na Europa desde 2022.

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