A nova norma EURO 7 contempla desgastes de discos e pastilhas dos freios. Para atender a exigência, as montadoras terão que utilizar peças encontradas nos veículos Premium.
Historicamente, o Brasil sempre seguiu as mudanças das normas européias de emissões nos motores a combustão. Desde o Proconve até a introdução do Arla 32, sempre olhamos as tendencias vindas do Velho Continente para prever os passos futuros da tecnologia automotiva. Agora, a recém aprovada norma Euro 7, traz mudanças significativas que o setor de autopeças brasileiro precisa se atentar com urgência. Pela primeira vez, o foco não esta só nos gases do motor, mas também nos desgastes de pneus e freios.
Até então, o CO2 e o NOx, tinham total foco das engenharias em suas reduções. Apesar da eletrificação não ser a solução definitiva, e os motores a combustão cada vez mais limpos, a eficiencia destes dois deram o lugar de maior fonte poluente atmosférica para a abrasão mecânica, e por isso o Euro 7 estabelece limites rigorosos para emissão de partículas (PM10) vindas do desgaste de pastilhas de freio e da rodagem de pneus.
Isto é uma enorme revolução para o mercado de reposição. Significa que pastilhas de freios convencionais estão com os dias contados na Europa, abrindo caminho para componentes de alta tecnologia. Discos de freios com materiais cerâmicos e revestimentos especiais passarão a ser o padrão para atender as exigências ambientais.
E qual o impacto pode ter o lojista no Brasil? Sem dúvida, este será um efeito dominó, as montadoras globais buscam a todo momento padronização, em breve carros produzidos no Brasil, especialmente os exportados ou modelos globais, começarão a exigir esses novos componentes.
Isso muda profundamente o mix de produtos. O mercado de peças de giro passará por uma valorização técnica. Itens antes considerados de luxo, como pneus de baixa abrasão e pastilhas de freios de “emissão zero”, passarão a ser requisitos normativos. Para o varejo de autopeças, isso é uma grande oportunidade de aumentar o ticket médio, mas exigirá mais preparo técnico das equipes ao explicar por que uma pastilha Euro 7 custa mais, e por que ela é vital para o sistema de filtragem e sensores dos carros modernos.
As oficinas também serão impactadas. Sistemas de frenagem tecnológicos e sensores de desgaste exigirão novos conhecimentos técnicos. O profissional terá que entender esses novos materiais para assegurar que a peça de reposição mantenha o veículo em conformidade com as exigências das montadoras.
O futuro da manutenção não é mais apenas sobre mecânica; é sobre sustentabilidade e precisão técnica.

Publicitário com especialização em marketing, acumula 26 anos no de atuação no mercado de autopeças. Consultor e Palestrante em Gestão Empresarial, Liderança, Comercial e Motivacional. Vive na Europa desde 2022
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