É necessário administrar com equilíbrio e controle da movimentação de entradas e saídas dos itens para não ter prejuízo com as peças na prateleira
Nem sempre prateleiras cheias indicam que os negócios vão bem e os clientes estão satisfeitos.
Uma farmácia com estoques completos de todos os tipos de medicamentos tem a oportunidade de satisfazer clientes que provavelmente encontrarão o que precisam, mas correm o risco de ver medicamentos estocados em excesso perder validade. Aí haverá prejuízo.
Não é o que ocorre com lojas de peças automotivas e/ou acessórios, onde a validade não impacta na manutenção de níveis altos de estoque.
No entanto, a administração do estoque de uma loja de autopeças ou outro comércio qualquer, tem que ser realizada com equilíbrio e controle da movimentação de entradas e saídas de itens, com controle dos custos, do serviço ao cliente orientados por sistemas de informações que podem ser obtidos por simples planilhas de excel, algumas disponibilizadas de forma gratuita na internet.
Esses sistemas envolvem controlar a curva ABC de vendas, classificação dos itens, inventário e monetização dos estoques (preço de custo e preço de venda), ponto de recompra e reabastecimento de itens,
Uma loja de autopeças deve manter estoques regulares de itens habitualmente demandados como velas e cabos, filtros, baterias e lâmpadas, pastilhas de freio, componentes de borrachas e batentes, entre outros, muitos deles cujas aplicações são abrangentes em vários modelos de veículos, como óleo para motor.

Características de sistemas de estoque
- Tipos de demanda: é necessário identificar se há sazonalidade ou ciclo na demanda de determinado item, se houve variação para mais ou para menos e entender a razão dessa variação;
- Intervalo de reabastecimento: se o tempo de pedir para o fornecedor for longo, é preciso ter um estoque maior do que se poderia prever com demanda normal. Alguns fabricantes priorizam abastecer antes o mercado de montadoras, para depois atender a reposição. Isso, às vezes, faz com que alguns itens regulares não sejam entregues pelos distribuidores, mesmo com pedidos feitos com antecedência;
- Custos relevantes de estoque: alguns itens ocupam espaço maior nas prateleiras e limitam amplitude de ofertas e apresentação de outros itens. Outros ainda são muito caros e sobrecarregam o capital de giro comprometido e assim aumenta o custo de manutenção dos estoques, sem contar o tempo usado por colaboradores em organizar os espaços e as prateleiras.
- Planejamento de tempo: o lojista deve avaliar se irá estocar um item específico indefinidamente ou se a necessidade é temporária;
- Análise do comportamento de compra: muitos itens são importantes de consumo, mas quando os clientes necessitam destes itens, normalmente se dirigem para compra em locais habituais que já fazem a instalação da peça a ser substituída. Pneus e auto vidros são bons exemplos. Outra situação é manter em estoque peças caras e raras, específicas para modelos incomuns de carros.
Uma ação importante para lojistas e que deve fazer parte do seu dia a dia é conhecer com maior qualidade possível o tipo de modelos e frota que circula com os clientes da sua região de atendimento.
Acompanhar estatísticas divulgadas por entidades públicas como Fenabrave, Fenauto, Senatran ou o sistema oferecido pelo GeoAfter.com.br, possibilita conhecer a frota emplacada por município brasileiro, por modelo e ano de fabricação.

Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário.
Há 30 anos atua no mercado de reposição de autopeças.
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