Mercado brasileiro de veículos usados e seminovos 

O segmento permanece com vendas em alta. Projeções apontam para mais uma quebra de recorde histórico no número de negócios

As vendas de automóveis usados e seminovos no Brasil registraram mais de 10,8 milhões de transações acumuladas até julho desse ano. Esse resultado representa 7,7% a mais que o mesmo período do ano anterior. Essa tendencia de alta segue o que foi alcançado em 2025, quando o setor encerrou o ano com um recorde histórico de 18,5 milhões de unidades comercializadas (17,4% mais que em 2024) e, segundo projeções da Fenauto – Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores, este ano pode contabilizar mais de 20 milhões de unidades usadas e seminovas negociadas. O que pode refletir no mercado de reposição, pois os compradores destes carros geralmente procuram uma oficina para realizar revisões e trocas de peças.

Modelos mais procurados no mercado de usados

A média de venda por dia útil está em 9,2% acima em relação ao mesmo intervalo de 2025, sendo que carros populares e modelos que já saíram de linha (como o Volkswagen Gol) continuam liderando a preferência do consumidor devido ao custo-benefício. O Chevrolet Onix foi o segundo mais comercializado.

Oferta e demanda no mercado de usados

Existem também algumas expectativas conservadoras entre analistas do mercado especializado em veículos usados e seminovos, que apontam nesta época do ano um estado de oferta maior que a demanda, e que o aquecimento das vendas deve acontecer mesmo nos períodos sazonais de fim de ano após liberação do 13º e resultado das eleições.

Confiança do consumidor é ponto de atenção

Uma certeza, porém, é que a confiança do consumidor brasileiro (ICC – Índice de Confiança do Consumidor FGV), registrou queda em agosto de 2026, atingindo o menor patamar desde o final de 2022, pressionada pelo endividamento e por expectativas negativas em relação ao futuro.

Foi o quarto mês de queda consecutiva e afeta diretamente os bens duráveis (como automóveis, móveis, eletrodomésticos) e a expectativa, segundo projeções do ICC, é que o custo do crédito e orçamento doméstico sejam limitadores da vontade de investir em contas com longo prazo.

Mercado de trabalho pode favorecer as vendas

Um componente diferencial nesta conta, entretanto, é que o país registrou taxa de desemprego de 5,3% no trimestre móvel encerrado em julho de 2026, segundo os dados da PNAD, resultado menor para o período de julho desde o início da série histórica em 2012.

Sérgio Duque
Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário.
Há 30 anos atua no mercado de reposição de autopeças.

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