Claudio Moyses

Transformação tecnológica amplia o papel estratégico da qualidade na indústria automotiva

Conectividade, inteligência artificial, eletrificação, integração entre hardware e software transformam a forma como a qualidade é aplicada na indústria automotiva.

A evolução tecnológica está transformando não apenas os veículos, mas também a forma como a qualidade é aplicada na indústria automotiva. Em um cenário marcado por conectividade, inteligência artificial, eletrificação, integração entre hardware e software e atualização contínua de funcionalidades, o desafio deixa de estar apenas na incorporação de novas tecnologias e passa a envolver a capacidade de garantir segurança, confiabilidade e desempenho em sistemas cada vez mais complexos e interdependentes.

Essa mudança amplia o papel da qualidade dentro do setor. Se antes ela era frequentemente associada à conformidade, inspeção e controle de processos, hoje passa a assumir função mais ampla e estratégica, conectando desenvolvimento, manufatura, software, serviços, experiência do consumidor e evolução contínua dos produtos.

Essa visão é reforçada pelo primeiro pilar do estudo do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, “Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026–2028”, publicado em 18 de maio. O levantamento mostra que inteligência artificial e eletrificação concentram 48% das transformações percebidas pelo setor, evidenciando o avanço de veículos cada vez mais conectados, integrados e orientados por software.

Nesse contexto, a qualidade amplia seu escopo e incorpora novas responsabilidades relacionadas à validação, confiabilidade sistêmica e acompanhamento contínuo de tecnologias orientadas por dados. A crescente integração entre sistemas eletrônicos, conectividade, software embarcado e atualização remota exige uma abordagem capaz de acompanhar toda a jornada do produto, desde o desenvolvimento até sua utilização.

Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma transformação estrutural para a indústria automotiva. O veículo passa a operar como um sistema tecnológico complexo, no qual componentes físicos, software, dados e conectividade atuam de forma integrada. Isso amplia as exigências relacionadas à rastreabilidade, validação e gestão da qualidade ao longo de toda a cadeia.

Ao mesmo tempo, essa transformação traz impactos importantes para a formação profissional. Competências ligadas à eletrônica, software, análise de dados, integração de sistemas e validação tecnológica passam a complementar conhecimentos tradicionais da indústria automotiva. O desenvolvimento de novas capacidades técnicas será decisivo para apoiar a evolução do setor e ampliar a competitividade da indústria brasileira.

A disseminação da cultura da qualidade também ganha relevância crescente. A evolução tecnológica exige alinhamento, cooperação e desenvolvimento conjunto entre fabricantes, fornecedores, centros de pesquisa, organismos de avaliação da conformidade, instituições de ensino e demais agentes que compõem esse ecossistema.

Além disso, a qualidade passa a ocupar posição central na construção de uma mobilidade mais eficiente e sustentável. A integração entre tecnologia, processos robustos, gestão e qualificação contribui para elevar padrões de desempenho, otimizar recursos e fortalecer a confiança do consumidor em um ambiente cada vez mais conectado.

O desafio da indústria não está apenas em acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas, mas em garantir que essa evolução aconteça de forma estruturada, segura e sustentável.

Mais do que acompanhar tendências, a indústria automotiva precisará transformar complexidade em confiança. E, nesse cenário, a qualidade tende a ocupar posição cada vez mais estratégica para sustentar inovação, competitividade e o desenvolvimento da mobilidade brasileira.

Claudio Moyses
Claudio Moyses
Presidente da Diretoria Executiva do IQA
(Instituto da Qualidade Automotiva)

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