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FEI, a fonte de engenheiros que há 60 anos projetam os nossos carros

Os profissionais da indústria automobilística e até os próprios engenheiros, empenhados no desenvolvimento de seus trabalhos que exigem muita dedicação, podem não lembrar que setembro é um mês importante para ser comemorado. Há 60 anos, em 1963, a FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) com campus em São Bernardo do Campo, decidiu criar o primeiro curso de engenharia mecânica com ênfase à atividade automobilística.

O motivo para esse empreendimento foi o fato de essa atividade ter chegado, naquele ano de 1963, ao sexto ano de implantação da indústria automobilística no País, com surpreendente desempenho acima do esperado. Da produção de 31 mil veículos registrados em 1957, o volume de veículos da nova atividade industrial do País atingiu, em 1963, 190.152 unidades, com crescimento de 513% e revelando que esse novo segmento precisaria de muitos engenheiros para atender o desenvolvimento que teria em seu breve futuro.

Possivelmente pela origem religiosa e criada por iniciativa do padre jesuíta Saboia de Medeiros, que previra o crescimento econômico do Brasil e a necessidade de engenheiros para acompanhar a forte evolução, os professores da universidade sempre se comportaram de acordo com os preceitos da bíblia.

Seguindo a história religiosa, os mestres da FEI reproduzem em vida real episódios históricos em que se comportam como pastores que cuidam de seus rebanhos a quem dedicam atenção especial, como se fossem seus filhos. E com essa dedicação formaram jovens engenheiros que assimilaram conhecimentos necessários para trabalhar na indústria onde ampliam a experiência de acordo com o perfil de cada empresa que os admitiu.

Ao longo de meu relacionamento com a FEI convivi com dois professores que, em épocas diferentes, apresentaram o mesmo tratamento aos alunos. O espanhol Rigoberto Soler e, mais recentemente, o gaúcho Ricardo Bock.

Ambos conquistaram o respeito e a confiança dos alunos que mantiveram durante o curso, fabricando protótipos de veículos como os modelos da linha FX, carros para a disputa de ralis off-roads, corridas em autódromos e até overcrafts, que se movimentam sem contato com o solo, mas mantido sobre um colchão de ar.

Após a formatura e a manutenção do relacionamento criado ao longo dos cursos, como membros de uma família, os professores mantêm o convívio de amizade estabelecida durante o curso em que vivenciaram intensamente na fase de aprendizado.

Com Rigoberto Soler a relação de amizade foi mantida até a sua morte, mas com os alunos de Ricardo Bock existe até hoje, um dos quais foi o vencedor de um concurso realizado no Brasil há três anos, pela Petronas, por ocasião do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, para a escolha de um jovem e talentoso engenheiro. Hoje, esse jovem engenheiro, Jaime Costa, trabalha na Europa e se dedica a pesquisas e testes para o desenvolvimento de novos tipos de óleo lubrificante.

Ricardo Bock dedicou-se também ao desenvolvimento de um carro elétrico e, num encontro com André Beer, ex-vice-presidente da General Motors do Brasil, outro apaixonado por carros, garantiu a cessão de um modelo Astra, que foi utilizado pela FEI como protótipo do curso de engenharia, enriquecendo o curso e ampliando as atrações e o interesse dos alunos pelas aulas.

Aposentado após 28 anos de trabalho e dedicação na formação de jovens profissionais, Ricardo Bock continua apaixonado pelos carros, mas agora de forma lúdica, à produção de requintadas miniaturas de carros famosos para os quais produz todas as peças, sistemas, painéis, instrumentos, bancos, volante, palhetas de limpadores de para-brisa, revestimentos de bancos e interior, tapetes, pneus, rodas raiadas construídas uma a uma, tudo com materiais de indiscutível qualidade e com tamanha perfeição, que, ao final do trabalho, são reconhecidas como verdadeiras joias e sofisticadas obras de arte.

Voltando ao sexagésimo aniversário, a FEI comemora a conquista de uma série de títulos nacionais e internacionais em diferentes categorias de acordo com as disciplinas em que cursam.

Professores e os próprios alunos reconhecem que o relacionamento familiar e amigo adotado pela instituição contribui para o nível de qualidade internacional que a FEI possui como uma das principais fontes de formação de profissionais para as diferentes atividades industriais.

O professor Ricardo Bock um dos pioneiros nessa estratégia de formação profissional de alto nível lembra de uma conversa ainda menino que teve com seu pai, quando confessou que desejaria ter um carro e que se fosse preciso ele iria construí-lo.

No dia seguinte, quando seu pai regressou do trabalho, surpreendeu-o com um pacote, para início de seu projeto: algumas tábuas, martelo, pregos e uma sugestão: “meu filho, agora você pode construí-lo”.

E assim o professor Bock passou a se dedicar aos estudos e o Brasil ganhou um grande mestre automobilístico, com a vantagem de formar mais de 1.500 engenheiros que estão em importantes empresas, inclusive internacionais.

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