Defeito identificado pelo técnico da APTTA Brasil em 2011, ocorre no câmbio automático de 6 marchas mesmo que utilize discos de fricção novos.

Há pouco tempo, recebi uma ligação de um técnico associado à APTTA Brasil, com um Volkswagen Golf 1.6L 2018 que utiliza a transmissão 09G original. Ela estava tão danificada que a oficina optou por comprar uma usada de um veículo com 96.560 km rodados.
Uma rápida inspeção interna revelou que os discos de fricção estavam praticamente novos. A unidade foi então montada, o filtro foi substituído por novo e o câmbio foi reinstalado.
Depois de tirar o carro do elevador, quando engataram a marcha, a transmissão patinou tanto, que ele só conseguia avançar lentamente. Um código VW 17115 (P0731) foi registrado, o que indica uma relação de primeira marcha incorreta. O mesmo ocorreu na primeira marcha do câmbio Tiptronic.
Após analisar um diagrama de aplicação, a embreagem K1 (Figura 1, acima) parecia ser a candidata mais provável para causar o problema (Figura 2, abaixo). Como havia um conector para a embreagem K1, eles realizaram um teste que revelou pressão adequada na embreagem K1.

Como a transmissão parecia nova por dentro, os técnicos decidiram instalar um corpo de válvulas recondicionado. Bem, isso não resolveu o problema!
Sem outra alternativa, o câmbio foi retirado para verificar se havia alguma estria danificada relacionada à embreagem K1 (Figura 3). Ao remover as embreagens, constatou-se que estavam em perfeitas condições (Figura 4).


Sem nenhum desgaste na estria ou embreagem queimada, os técnicos examinaram cuidadosamente o tambor. A parte traseira mostra que o tambor é composto por duas partes: um núcleo central e uma carcaça externa, que são encaixadas por meio de estrias finas.
O núcleo central também se conecta à engrenagem por meio de estrias, e a carcaça externa contém as embreagens. Para uma análise mais detalhada, o pistão e a mola de retorno foram removidos (Figura 5). Foi então que descobrirão como o núcleo central se desgastou da carcaça. Foi feita uma marca amarela em ambos para ilustrar como o núcleo gira dentro da carcaça (Figura 6).


A primeira pessoa que identificou esse tipo de falha, foi um técnico afiliado da APTTA Brasil há muito tempo. Em 2011, ele trabalhava em uma oficina especializada em São Paulo. Com a ajuda dele, conseguimos demonstrar esta falha no nosso Seminário de Treinamento Técnico da APTTA de 2012.
E agora, 14 anos depois, ele ressurge — um problema antigo que ainda persiste. Como não é algo comum, pode passar despercebido durante a reconstrução se você não estiver ciente do defeito quando a unidade chegar na sua bancada. Isso porque não é detectado por um teste de ar. Para evitar surpresas desagradáveis, certifique-se de verificar manualmente.
Espero com esta matéria rápida, ajudar os técnicos em todo o país que acompanham a Revista Reparação Automotiva nas várias plataformas, a identificar falhas aparentemente insolúveis nas transmissões automáticas.
Até a próxima edição. Um excelente mês de trabalho a todos!

Diretor Técnico da Aptta Brasil
www.apttabrasil.com
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