Emplacamento de autoveículos no quarto mês do ano registrou desempenho abaixo do esperado, mas no acumulado do ano, os números ainda são positivos.
Nos quatro primeiros meses do ano 1,7 milhões de veículos automotivos novos foram adicionados ao mercado, elevando o acumulado da frota circulante nacional para pouco mais de 81,5 milhões de unidades, entre todos os modais de transporte automotivo, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos, tratores e semirreboques.
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), divulgou estatísticas em coletiva de imprensa com os valores comparativos que compreende o primeiro quadrimestre de 2026 em relação a 2025.

Houve um aumento de 14,8% no emplacamento de veículos novos, com maior destaque para automóveis e comerciais leves, contra uma queda de 16,9% no segmento de comerciais pesados.
Emplacamento em abril
O emplacamento de veículos no Brasil em abril de 2026 registrou um desempenho abaixo do esperado, embora no acumulado do ano, os números ainda são positivos.
Foram emplacadas 464 mil novas unidades, descontando deste montante as máquinas agrícolas e de construção, mas incluindo semirreboques.
A participação no emplacamento de veículos eletrificados e híbridos ficou em 18,3% neste mês, apenas 40% deles produzidos internamente.
Caminhões tiveram um desempenho muito próximo do mês anterior devido ainda a efeitos dos benefícios do Programa Move Brasil.

Destaques do Mercado no Acumulado de 2026:
- O mês de março ficou apenas atrás de recordes de anos anteriores, mas foi vastamente comemorado pelas montadoras como altamente satisfatório nos resultados gerais. Foi um mês com características distintas com 22 dias trabalhados, diferente de fevereiro apenas com 18.
- O emplacamento no segmento comercial pesado (caminhões e ônibus) foram aqueles que em abril registraram menor queda e esse resultado se deveu ao Programa Move Brasil e aos investimentos naturais do setor para preparação de transporte da safra projetada. Como comentado na edição anterior o Programa Move Brasil, lançado em janeiro de 2026 pelo Governo Federal, disponibilizou R$ 10 bilhões em crédito via BNDES para renovação da frota nacional de caminhões, com foco em juros reduzidos (13% a 14% ao ano) e carência de 6 meses. A iniciativa visava retirar de circulação veículos com mais de 20 anos, substituindo-os por modelos Euro6, mais eficientes e sustentáveis. Segundo dados da Anfavea e da Fenabrave não há mais verba disponível para continuidade, embora continuem tentativas e negociações para que haja uma ampliação no prazo.
- A leitura do macroambiente econômico e político não sugere alteração de previsão para os números do ano, que se mantiveram com expectativa de crescimento médio do setor de veículos novos não superior a 3,0% em relação ao ano de 2025. Impactos da inflação de custos causada pela guerra EUA-Irã, questões políticas envolvendo acusações e tentativas de implantação de CPMI para discutir o caso do Banco Master, proximidade de período eleitoral, são causa e efeito da prudência em não se esperar resultados mais significativos no setor para o ano, mantendo-se todas as condições.
- A venda de motos apresentou redução em abril -5,0% em relação a março e as previsões positivas de que o segmento ultrapasse mais de 2,2 milhões de novas unidades no ano continuam a sustentar o discurso dos analistas especializados do setor.
Participação das marcas no acumulado de 2026
Não houve mudança de posição no ranking das marcas mais vendidas no acumulado até abril. A Fiat continua liderando como marca que mais vendeu carros no país. A empresa surge consideravelmente à frente da segunda colocada, a Volkswagen. Mais abaixo, fechando o pódio, está a Chevrolet e em quarto aparece a Hyundai que agora tem a BYD na sua cola. Em seguida aparecem Toyota e Renault.
Entre as 7 primeiras marcas estão concentrados 72,2% das vendas de automóveis e comerciais leves no mercado nacional, que continua atrativo para muitas montadoras e novos entrantes.

Algumas marcas têm grande volume (Fiat, VW, GM), enquanto outras focam em nichos específicos (Rolls-Royce, BMW).
Cerca de 44 marcas (incluindo leves e comerciais) são comercializadas no Brasil, que em determinadas épocas do ano pode chegar a 50, destacando-se gigantes como Fiat, Volkswagen, Chevrolet, Hyundai, Toyota e a ascensão de chinesas como BYD e GWM.
Já no segmento de caminhões e ônibus a Mercedes-Benz manteve a liderança com 26,2% (era 32,4% em março), seguida pela VW T&B (22,9%), Volvo (14,6%), Scania (8,0%), Iveco (7,3%) e DAF (5.3%). Estas marcas concentram 84,3% de todos os veículos comerciais pesados (caminhões e ônibus) emplacados e vendidos no acumulado de 2026. Até março representavam 95,3%, ou seja, perderam 11,0% de share no mês de abril em relação a março.

Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário.
Há 30 anos atua no mercado de reposição de autopeças.
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