máquinas agrícolas

Mercado de máquinas agrícolas brasileiro

O segmento de equipamentos novos deve crescer no máximo 3%, já no de usados estima-se aumento de 20%, o que aquece a reposição

Segundo dados da Conab a área plantada com grãos no Brasil na safra 2025/26 está estimada em cerca de 84,4 milhões de hectares, representando um crescimento de aproximadamente 3,3% em relação ao ciclo anterior. A produção de grãos deve atingir um recorde de 354,8 milhões de toneladas, com destaque para a soja.

Esse resultado excepcional foi impulsionado principalmente pelos desempenhos de soja (171 milhões de toneladas), milho (19,7 milhões) e algodão (4 milhões), que atingiram produções recordes, enquanto o arrozobteve uma safra acima da média, ajudando a compensar leves quedas na produção de feijão e trigo.  

Porém, existe uma projeção de redução nos resultados para o ciclo futuro com queda de 1,8% e a safra com grãos atingir não mais que 339,8 milhões de toneladas, com maior redução nas culturas de milho, sorgo e arroz.

Condições climáticas e preços de commodities baixos desestimulam os empresários do agronegócio que ainda se deparam com juros altos para compra de equipamentos e insumos financiados.

Atualmente o governo federal oferece apoio com programas específicos de incentivos à agricultura e pecuária, entre eles o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) que tem como objetivo oferecer apoio financeiro e técnico aos pequenos produtores rurais, especialmente àqueles que vivem em áreas, que possuem renda familiar baixa e para agricultor que fatura até R$ 360 mil por ano.

Os programas destinados ao apoio do setor do agro, todos juntos dispõem de uma verba do governo para 2026 estimada em R$ 89 bilhões em crédito rural, com variações de condições de juros dependendo do tamanho e destinação do empréstimo.

Mercado de máquinas agrícolas e de construção

O Moderfrota é uma linha de crédito disponibilizada pelo governo para agricultores e pecuaristas que tem por objetivo modernizar a frota de máquinas e implementos no país, com montante em oferta estimado para este ano em RS 750 milhões. Financia tratores, colheitadeiras, semeadoras e pulverizadores com juros que variam de 10,5% a 13,5% ao ano e prazos de até 7 anos. 

Pode financiar máquinas e implementos usados, desde que comprovados que a reforma foi feita em concessionários das marcas e com garantia.

Normalmente há uma variação acentuada nos volumes negociados de máquinas de uma safra para outra, pois os resultados estão diretamente relacionados. 

Se há aumento do volume de safra, haverá a natural necessidade de mais máquinas, mais transporte, mais investimentos. O problema está na conta que o agricultor deve contrair para fazer o sistema andar. Os juros são altamente proibitivos e pouco estimulam os investidores que às vezes não querem assumir 6 ou 7 anos para pagar um equipamento com juros de 20% a.a. 

Quanto aos efeitos esperados do acordo Mercosul-União Europeia no agro brasileiro, as expectativas gerais são boas, pois a redução de impostos e tarifas (mesmo que com efeito real ainda por acontecer a médio e longo prazos) deve trazer benefícios para o comércio nos dois blocos, tanto para produtores como compradores.

Já no mercado interno de máquinas, embora em nosso país estejam instalados fabricantes nacionais e estrangeiros, não se tem dúvidas que somos competitivos e dispomos de laboratórios de pesquisas avançados para evoluir no conjunto das necessidades. Entretanto, é de se esperar que aumente a competitividade nas ofertas de máquinas e equipamentos com tecnologia superior e que proporcionam aumento da produtividade, especialmente de fabricantes alemães e italianos.

Em 2025 o segmento de máquinas e implementos faturou cerca de R$ 70 bilhões e, de acordo com projeções mais moderadas da ABIMAQ – Associação Brasileira da Industria de Máquinas e Equipamentos, em 2026 estima-se que o setor deve crescer apenas entre 2,5 e 3,0%.

O cenário de cautela é impulsionado por juros elevados, menor rentabilidade dos produtores devido à queda nos preços internacionais da soja e milho, e a incerteza de um ano eleitoral.

Por outro lado, devido ao custo das máquinas novas e juros altos, a demanda por equipamentos usados deve crescer cerca de 20%, com destaque para tratores, plantadeiras e colheitadeiras, o que deve refletir favoravelmente no segmento da reparação e manutenção prévia de máquinas usadas.

Sergio Duque
Economista, pós-graduado em Marketing e professor universitário.
Há 30 anos atua no mercado de reposição de autopeças.

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